A sala era ampla demais para o que estava acontecendo dentro dela. Lustres de cristal pendiam do teto alto, derramando uma luz dourada e uniforme sobre o piso de mármore branco — luz de galeria, de museu, de lugar onde coisas caras ficavam expostas para serem olhadas. E no centro exato desse círculo de luz, no ponto onde qualquer arquiteto teria posto uma escultura, estava Kal-El.
De cueca branca. Pés descalços. Pernas abertas na largura dos ombros, os joelhos travados num tremor fino que ele não conseguia parar. Os braços pendiam ao longo do corpo como ferramentas esquecidas — músculos que um dia ergueram montanhas, agora inertes, veias saltadas sobre o antebraço sem nenhuma tensão por trás delas. O peito subia e descia depressa demais. Suor escorria da linha do cabelo preto e cacheado, descia pela têmpora, contornava o maxilar, pingava no chão entre os pés.
E a mão de Diana estava no meio das pernas dele.
Não apertando. Ainda não. Só enlaçando — os cinco dedos fechados ao redor do volume que a cueca mal continha, a palma quente apoiada de leve, o polegar encostado na raiz. Ela segurava o saco inteiro dele como quem pesa uma fruta madura antes de decidir se vale a pena. A pele sob o algodão estava quente. Pulsava. Ela sentia cada batida através do tecido, e cada batida ia ficando mais rápida conforme o silêncio se esticava e ninguém dizia nada.
Diana olhou para o rosto dele. Não para o corpo — para o rosto. Os olhos azuis de Kal-El estavam vidrados, fixos em algum ponto da parede atrás dela, e ela sabia que ele não estava vendo parede nenhuma. Estava vendo o vazio onde a vontade dele costumava morar. A magia tinha feito um trabalho limpo. Não havia resistência ali dentro. Havia eco. Um homem do tamanho de um deus, com a cabeça cheia de eco.
— Você sabe o que eu tenho na mão? — ela perguntou, baixo, quase gentil.
Ele engoliu. A garganta dele se moveu. Nada saiu.
— Eu sei que você sabe — Diana continuou, e o canto da boca dela subiu um milímetro. — Você sempre soube. É a primeira coisa que todo homem aprende sobre você, não é? Que embaixo de tudo isso, embaixo do aço e da capa e da esperança, tem um saco igual ao de qualquer outro. Só que maior. Mais pesado. Mais fácil de achar.
Ela fechou os dedos um grau. Só um grau. O algodão branco se esticou sobre a pele, e Kal-El soltou um som — um gemido baixo, rouco, arrancado de algum lugar fundo do peito, que morreu antes de virar palavra. As pernas dele tremeram. Os joelhos cederam meio centímetro e voltaram, num reflexo que não tinha nada a ver com força e tudo a ver com sobrevivência.
Atrás dele, no semicírculo, Carla prendeu a respiração.
Ela estava sentada na beirada de um sofá de veludo cinza, o corpo curvilíneo inclinado para a frente, os cotovelos nos joelhos, o batom vermelho entreaberto. Os olhos verdes não piscavam. Não conseguiam. Ela olhava para a mão de Diana como quem olha para uma faca sendo afiada — fascinada, com um calor subindo pela barriga que não tinha nome educado. Ao lado dela, Fernanda estava sentada dura demais, as costas retas contra o encosto, o coque desleixado deixando escapar um fio loiro na testa. As bochechas dela estavam vermelhas. Vermelhas desde o momento em que Diana tinha feito o Superman tirar a roupa, e mais vermelhas agora, e ela sabia disso, e sabia que Carla sabia.
Foi Carla que quebrou o silêncio primeiro. Não com uma palavra — com um olhar. Ela virou a cabeça devagar na direção de Fernanda, e o olhar dizia tudo: você está vendo isso? Você está vendo a Mulher-Maravilha com a mão no saco do Superman? Fernanda respondeu com um olhar curto, quase envergonhado, e depois desviou os olhos para o chão, para as próprias mãos no colo, para qualquer lugar que não fosse o volume marcado na cueca branca à frente.
Não adiantou. Os olhos dela voltaram sozinhos.
— Amiga — Carla sussurrou, sem tirar os olhos do centro da sala. — Eu já estou com a calcinha molhada.
Fernanda soltou um risinho nervoso, abafado com a mão.
— Você é muito safada — ela sussurrou de volta.
— Safada é você, que não para de olhar.
Fernanda não negou. Não conseguia. A calcinha dela estava encharcada desde antes de Diana encostar a mão — desde o instante em que o Superman tinha ficado só de cueca e o volume tinha aparecido, e ela tinha entendido, com uma clareza que a fez apertar as coxas, que aquele saco era maior do que qualquer coisa que ela já tinha imaginado. Maior. Mais pesado. E agora estava ali, na mão de outra mulher, sendo segurado como um troféu.
Do outro lado do semicírculo, Júlia não sussurrava nada. Júlia tinha a mão dentro da calcinha.
Ninguém tinha visto ela começar. Talvez ela tivesse começado antes de todo mundo, com a paciência de quem já sabia onde aquilo ia dar. O vestido de verão subia pela coxa, o pulso desaparecia sob o tecido leve, e o movimento do braço dela era pequeno, contido, quase discreto — mas contínuo. Dois dedos, talvez três. O polegar por fora. Os olhos azuis dela, cercados de sardas, não desgrudavam da mão de Diana. A boca estava aberta num meio-sorriso que não era deboche nem desejo — era as duas coisas juntas, misturadas até não dar mais para separar.
— Olha a cara dele — Júlia disse, e a voz saiu mais grave do que ela esperava. — Olha. Ele sabe. Ele sabe o que está acontecendo e não consegue fazer nada.
Diana ouviu. Claro que ouviu. E sorriu — um sorriso lento, que começou nos cantos e terminou nos olhos, e que não tinha nada de calor. Era um sorriso de quem confere uma conta e vê que os números fecham.
— Sabe — Diana concordou, e apertou mais.
Dessa vez não foi um grau. Foi dois. Três. Os dedos dela fecharam ao redor do saco de Kal-El com uma firmeza que não pedia licença, e o gemido que veio dele encheu a sala inteira — grave, longo, arranhado na ponta, o som de um homem tentando segurar algo que já escapou. As pernas dele se abriram mais um dedo, sozinhas, como se o corpo tivesse entendido antes da cabeça que resistir só piorava. Os braços continuaram pendurados. Os pés descalços se plantaram no mármore gelado, procurando equilíbrio que não vinha.
Diana esperou o gemido acabar. Não soltou. Deixou o som morrer sozinho, deixou o silêncio voltar, deixou todo mundo na sala sentir o peso daquele intervalo — e só então apertou de novo.
— Você é grande — ela disse, e a palavra saiu quase carinhosa, e por isso mesmo foi pior. — Eu sempre ouvi dizer. O homem de aço. Invulnerável. À prova de bala, à prova de fogo, à prova de tudo. E olha só. — Ela mexeu o pulso devagar, rolando o conteúdo da mão contra a palma, sentindo o peso, sentindo os dois testículos rolando por baixo do algodão como pedras dentro de um saco de veludo. — Olha o que cabe na minha mão.
Kal-El fechou os olhos. Foi o único movimento de recusa que ele conseguiu. E mesmo assim os quadris dele empurraram para a frente, um tique involuntário, um corpo que já não pedia permissão à mente para se mexer. A cueca branca esticou. O volume na frente cresceu — não muito, não ainda, mas o suficiente para que Carla visse e soltasse um som baixinho, entre o riso e o suspiro.
— Ai, meu Deus — ela murmurou, e enfiou a mão entre as próprias pernas por cima do jeans, apertando, sem nem disfarçar. — Olha o pau dele, Fernanda. Olha. Ele está de pau duro. Ele está sendo segurado pelo saco e está de pau duro.
— Eu estou vendo — Fernanda sussurrou, e a voz saiu fina, e ela apertou as coxas com força suficiente para doer. — Eu estou vendo, Carla, para de falar.
— Para de olhar você.
Diana ouvia tudo. As duas vozes atrás dela eram parte do espetáculo, e ela sabia disso, e deixava correr. Não virava a cabeça. Não precisava. A atenção dela estava inteira na mão, inteira no corpo que tremia à frente dela, e era essa concentração que assustava mais do que qualquer ameaça. Ela não estava distraída. Ela estava presente. Cada dedo dela estava exatamente onde queria estar.
O polegar dela subiu. Encontrou o ponto onde o saco encontra o corpo, aquela costura fina de pele que todo homem protege por instinto, e pressionou — não com força, com presença. Só o peso do polegar. Só o aviso. Kal-El engoliu de novo, e o som da deglutição foi alto na sala silenciosa.
— Você sabe que eu poderia acabar com você agora — Diana disse. — Só com a mão. Sem golpe, sem magia, sem nada. Só fechando os dedos. Você entende isso?
Ele assentiu. Um movimento pequeno, rápido, quase imperceptível — mas assentiu. Os olhos continuavam fechados. O suor tinha chegado ao queixo agora, e pingava, e cada gota fazia um som mínimo no mármore que ninguém teria ouvido se a sala não estivesse tão quieta.
— Fala.
— Eu entendo — ele disse, e a voz saiu rouca, quebrada no meio, uma voz que não combinava em nada com os ombros largos nem com o peito definido nem com as coxas grossas plantadas no chão. Era a voz de um homem no fundo de um poço.
— Mais alto.
— Eu entendo.
Diana riu. Baixinho. Um som curto, satisfeito, que não precisava de mais nada para ser cruel. E então ela começou a massagear.
Não foi aperto. Foi pior. Os dedos dela se moveram em círculos lentos, o polegar rolando por cima, a palma comprimindo e soltando num ritmo que não tinha nada a ver com violência e tudo a ver com posse. Ela estava acariciando. Ela estava brincando. Ela estava tratando o saco do Superman como quem amassa um pão antes de assar — com a paciência de quem tem o dia inteiro e a certeza de quem sabe que o resultado está garantido. E a cada volta dos dedos, o corpo de Kal-El respondia. Os quadris empurravam. Os joelhos tremiam. O pau dentro da cueca endurecia mais, subia mais, empurrava o algodão para a frente até o tecido esticar e ficar translúcido no ponto de tensão.
— Olha isso — Júlia disse, e a mão dela tinha acelerado dentro da calcinha, e ela não escondia mais nada, o pulso subindo e descendo sob o vestido de verão, a respiração saindo curta pelo nariz. — Ele está gozando de ser apertado. Ele está com tesão de estar sendo humilhado na frente de quatro mulheres. O Superman. Olha o Superman.
— Ele não é o Superman — Carla corrigiu, e a voz dela saiu mais rouca do que pretendia. — Superman tem capa. Esse aí só tem cueca molhada.
E era verdade. A cueca branca estava molhada — não de suor, ou não só de suor. Havia uma mancha escura na frente, pequena ainda, uma gota de pré-gozo que tinha vazado e se espalhado pelo algodão, e a mancha crescia a cada círculo dos dedos de Diana. O cheiro chegou até elas depois de um instante. Salgado. Quente. Um cheiro de homem excitado que enchia a sala dourada e fazia Carla apertar a própria coxa com a unha.
Diana diminuiu o ritmo. Quase parou. Deixou os dedos apoiados, imóveis, só o peso da mão sobre o saco latejante, e olhou para o rosto dele com uma paciência que era a coisa mais ameaçadora da sala.
— Você quer gozar — ela disse. Não era pergunta.
Kal-El não respondeu. A boca dele abriu, fechou, abriu de novo, e nada saiu. Os olhos continuavam fechados, mas agora havia um brilho nas bordas dos cílios, e ninguém na sala teve certeza se era suor ou outra coisa.
— Eu perguntei se você quer gozar.
— Quero — ele disse. Baixo. Rápido. Como quem cospe uma pedra.
— Quero o quê?
— Quero gozar.
— Quero gozar, o quê?
O silêncio dessa vez foi diferente. Mais pesado. As três mulheres no semicírculo pararam de se mexer ao mesmo tempo, como se alguém tivesse cortado a música. Carla tirou a mão de entre as pernas. Fernanda esqueceu de respirar. Júlia deixou os dedos imóveis dentro da calcinha, esperando, os olhos azuis arregalados.
Kal-El abriu os olhos. Olhou para Diana. E disse:
— Quero gozar, senhora.
Diana fechou a mão.
Não foi um aperto — foi uma sentença. Os cinco dedos dela se cerraram ao redor do saco inteiro de uma vez, e o gemido que veio dele não foi grave dessa vez. Foi agudo. Foi um som que ninguém naquela sala tinha ouvido um homem fazer, um som que atravessou os dentes cerrados e saiu pelas beiradas, e junto com o som vieram os joelhos — os dois, ao mesmo tempo, cedendo de vez, e Kal-El caiu meio palmo antes de Diana segurar o pulso e mantê-lo de pé pela própria mão que o apertava. Ele ficou suspenso assim. Preso. As pernas dobradas, o corpo pendurado no aperto dela, os braços finalmente acordando e subindo para agarrar o ar, para agarrar nada, porque não havia nada para agarrar.
— Fica de pé — Diana disse, e a voz dela não tinha nenhuma pressa. — Eu não mandei você cair.
Ele se endireitou. Tremendo. As coxas dele estavam molhadas de suor, e o suor escorria por dentro da perna e encontrava o mármore, e cada pé deixava uma marca úmida que ia evaporar em minutos e que ninguém ia limpar. A cueca branca estava encharcada agora — a mancha da frente tinha se juntado com o suor e com uma segunda gota de pré-gozo, e o tecido estava tão esticado sobre o pau duro que dava para ver a forma inteira, a cabeça, o corpo, a base, e embaixo, no meio, o saco comprimido pelos dedos de Diana, deformado, espremido para cima, a pele esticada e brilhante.
A cor tinha mudado. Carla foi a primeira a notar. Onde antes era rosa pálido, agora era vermelho — um vermelho vivo, quente, que começava a subir pelas bordas do saco e se espalhava para baixo, para a pele fina entre as pernas, para o ponto onde os dedos de Diana apertavam mais forte. A pele estava latejando. Dava para ver. Cada batida do coração dele empurrava sangue para aquele ponto e não deixava voltar, e o saco ia ficando mais escuro, mais inchado, mais brilhante sob a luz dourada dos lustres.
— Ai — Fernanda sussurrou, e a mão dela tinha ido parar na boca. — Ai, meu Deus, olha a cor.
— Vermelho — Júlia disse, e a voz dela saiu estranha, quase reverente. — Está ficando vermelho. Olha o que ela está fazendo com ele.
Diana não olhou para as mulheres. Continuou olhando para o rosto de Kal-El, que estava aberto agora, completamente aberto, a boca solta, os olhos vidrados mas acordados, alguma coisa atrás daquela névoa azul que finalmente tinha entendido onde estava e o que estava acontecendo e que não havia saída nenhuma. Ela apertou mais um grau. Só um. O suficiente para que o gemido dele subisse de tom e ficasse preso na garganta, um som longo, trêmulo, que não acabava e não virava grito.
E então ela parou.
Os dedos continuaram fechados. O aperto continuou o mesmo. Mas ela parou de mexer. Parou de massagear. Parou de rolar o polegar. Só ficou ali, com o saco vermelho e latejante inteiro dentro da mão, sentindo cada batida, cada tremor, cada espasmo minúsculo da pele que tentava se contrair e não conseguia porque não havia espaço. Kal-El estava de pé por um fio. As pernas abertas, os joelhos dobrados, os braços pendurados de novo, os olhos abertos e molhados e fixos nela. O pau continuava duro. Continuava apontando para a frente, empurrando a cueca encharcada. Ele não tinha gozado. Não ia gozar. Ela não tinha deixado.
O silêncio voltou à sala. Um silêncio carregado, espesso, com cheiro de suor e de sexo e de alguma coisa mais antiga por baixo — o cheiro de um deus sendo reduzido a carne. Carla tinha a mão de volta entre as pernas. Fernanda tinha parado de respirar pela boca. Júlia tinha os dedos imóveis, esperando, e os olhos azuis dela iam da mão de Diana para o rosto de Kal-El e voltavam, como quem assiste a um acidente em câmera lenta e não consegue desviar.
Diana inclinou a cabeça. Olhou para o saco vermelho na própria mão. Depois olhou para o rosto dele.
— Ainda não — ela disse, baixinho, quase para si mesma. — Ainda não.

