O Favor
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O favor da bella
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Chapter 1 of 2

O favor da bella

VC é minha

Tudo estava O escritório da velha cheirava a couro envelhecido e poeira seca. A única luz era um abajur de latão em cima da escrivaninha de mogno, jogando sombras longas que engoliam os cantos da sala. Lyn Silva não soltou meu braço. Seus dedos, finos e fortes como garras, me puxaram para o centro do círculo de luz.

"Agora senta," ela ordenou, indiciando uma poltrona de couro diante da mesa.

Eu sentei. Meu coração batia tão forte que eu conseguia ouvir o sangue nos meus ouvidos. O uniforme da empresa, uma saia lápis e uma blusa de seda barata, colava no meu corpo com o suor do susto.

Ela se acomodou do outro lado, estudando meu rosto como se lesse um relatório contábil. Seus olhos azuis não pestanejaram.

"Isabela Costa. Vinte e quatro anos. Funcionária do setor de logística há dezoito meses." Ela falou os dados de memória. "Mora com a mãe doente no Jardim São Paulo. Sonha em fazer faculdade de administração à noite."

Um calafrio que não tinha nada a ver com o ar parado do quarto desceu minha espinha. "Como a senhora…?"

"Eu sei tudo, menina. Esse é o meu trabalho." Ela apoiou os cotovelos na mesa, entrelaçando os dedos. O anel de rubi na sua mão direita capturou a luz, um ponto de fogo sangrento. "Você salvou minha vida hoje. Uma reação rápida. Cabeça fria. Compaixão. São qualidades que não se ensinam."

"Eu só fiz o que qualquer um faria, Dona Lyn," minha voz saiu um fiapo.

"Mentira." Ela cuspiu a palavra. "A maioria ficaria parada, gelada, ou pior, filmando para as redes sociais. Você agiu. E o Rafael, meu neto…" Ela fez um gesto de desdém com a mão. "Ele herdou o nariz empinado do pai, mas não a substância. Precisa de alguém ao lado que tenha substância."

Eu engoli seco. O ar pesado de poeira e poder ficou preso na minha garganta.

"Então vou ser direta, Bela. Posso te chamar de Bela?" Ela não esperou por resposta. "Você vai casar com o Rafael."

O mundo desabou em silêncio. Eu ouvi a sentença, as palavras se formando, mas o significado não chegava. Só consegui balbuciar. "Casar? Isso é… isso é uma piada."

Não era uma piada. O rosto dela era de granito.

"É um acordo. Você precisa de dinheiro para sua mãe, para seus estudos, para uma vida que não seja de subir quatro lances de escada com sacola de feira. Nós precisamos de uma nova imagem. Uma matriarca nova. Alguém do povo, bonita, forte. Alguém que salva vidas em vez de só assinar cheques." Ela se inclinou para frente, o rubi brilhando como um olho cíclope. "E eu preciso de um bisneto. De preferência, menino."

O choque deu lugar a um surto de riso histérico, que morreu na minha boca antes de nascer. "O Rafael me odeia. Ele nem olha na minha cara no corredor."

"O que meu neto gosta ou deixa de gostar é irrelevante. Ele fará o que for necessário para a família. Sempre fez." Ela disse isso com uma frieza que me deixou nua. "Você também fará."

Ela abriu uma gaveta da escrivaninha e tirou um envelope gordo, de papel pardo. Deslizou ele pela mesa até que parou diante dos meus dedos trêmulos.

"Ato de boa fé. Adiantamento. É suficiente para pagar os tratamentos da sua mãe pelo próximo ano, transferi-la para uma clínica particular, e ainda sobra para a sua matrícula na faculdade."

Meus dedos roçaram o envelope. Era real. Pesado. A solução para todos os meus problemas embrulhada em papel barato. Uma parte de mim, a parte cansada de lutar, queria agarrar aquilo e fugir.

A outra parte sentiu nojo.

"Eu não vou me vender," eu disse, e pela primeira vez, minha voz não tremeu.

Dona Lyn sorriu. Não era um sorriso amigável. Era o sorriso de um predador que finalmente viu a presa mostrar os dentes. "Brava. Gosto disso." Ela se levantou, contornando a escrivaninha com passos lentos e firmes. O vestido de seda cinza sussurrava no chão encerado.

Ela parou a poucos centímetros de mim. O perfume era caro, amadeirado, e cobriu o chero de mofo do escritório. Seu olhar azul escaneou meu rosto, depois desceu pelo meu corpo, lento, avaliador, como se estivesse inspecionando um cavalo de corrida.

"Você acha que a porta vai abrir?" ela perguntou, a voz suave como a seda que ela vestia.

Meus dedos apertaram o puxador de latão. Girei. Nada. Tentei de novo, com mais força. O mecanismo nem mesmo rangia. Estava trancada por fora.

O pânico, agudo e gelado, furou meu estômago. Virei para encará-la. "O que isso significa?"

"Significa que saímos de uma sala quando a conversa termina. E a nossa não terminou." Ela levantou uma mão magra, cheia de veias salientes e anéis pesados, e apontou para a poltrona de couro atrás de mim. "Sente."

Eu não me mexi. A respiração ficou curta. "Isso é sequestro."

*********

Dona Lyn riu, um som seco e breve. "É uma reunião prolongada. Sente-se, Isabela. Ou devo chamar você de Bela? É assim que gostam de você no andar de baixo, não é?"

O jeito como ela disse meu apelido soou como uma invasão. Como se ela tivesse fuçado em todas as minhas gavetas. Meus joelhos cederam, e eu caí na poltrona. O couro estava frio e rijo através do tecido barato da minha saia.

Ela não voltou para a cadeira atrás da mesa. Ficou de pé, pairando, bloqueando a luz fraca da luminária. Sua sombra me engoliu.

"Você disse que não vai se vender. Eu entendo. É uma palavra feia." Ela inclinou a cabeça. "Mas vamos falar de troca. De oportunidade. Você carrega a feira sozinha. Paga aluguel atrasado com hora extra. Sua mãe adoece um pouco mais a cada mês que passa naquela fila do SUS. Isso é liberdade?"

Cada palavra era uma faca bem afiada. Ela sabia de tudo. Claro que sabia.

"E o Rafael?" a voz saiu um sussurro rouco. "Ele nunca vai aceitar."

Um brilho calculado acendeu nos olhos dela. "Meu neto é um homem de deveres. E de apetites. A aversão que você acha que vê... pode ser só o incômodo de um homem que não quer querer uma coisa." Ela fez uma pausa, deixando a implicação pesada pairar no ar poeirento. "E apetites podem ser direcionados. Cultivados."

Ela finalmente se moveu, indo até a estante. Tirou um álbum de fotos antigo, pesado, e voltou para a mesa. Abriu-o com cuidado. "Ele gosta de coisas bonitas. De ordem. De controle." Virou algumas páginas. "Você é bonita. Pode aprender ordem. E o controle..." Ela olhou para cima, me encarando. "...é uma dança a dois."

Meu coração batia tão forte que eu acreditava que ela podia ouvir. A imagem que ela pintava era absurda. Vulgar. Mas outra parte de mim, a parte exausta e com medo, começou a se perguntar como seria não ter que se preocupar com o próximo mês.

************

"E depois que você... conseguir o seu bisneto?" a palavra queimei minha língua.

"Depois, você terá uma vida que sua mãe nem consegue sonhar para você. E eu terei o futuro da minha família garantido." Ela fechou o álbum com um baque surdo. "É um contrato. De dez anos. Com todas as cláusulas de confidencialidade e conduta esperadas."

"Dez anos," eu repeti, atordoada.

"Amanhã," Lyn corrigiu, suave como o corte de uma lâmina. "O casamento civil é amanhã às onze. Já está tudo arranjado."

O ar saiu dos meus pulmões. "Isso é loucura. Eu não posso... nem conheço ele."

"Conhecer é um verbo superestimado. Você conhece o peso de uma conta de hospital? O gosto do pão ontem quando o dinheiro não dá para o de hoje?" Ela se apoiou na mesa, suas juntas finas brancas sob a pele. "Isso você conhece. O resto é detalhe."

Antes que eu pudesse responder, a porta do escritório se abriu. Rafael Silva estava na moldura, seu terno cinza impecável parecendo uma armadura. Seu olhar passou por mim como se eu fosse um móvel mal colocado, e se fixou na avó.

"Vovó. O que ela ainda está fazendo aqui?"

"Fechando um acordo, neto. Sente-se." A voz de Lyn não permitia discussão.

Ele entrou, fechando a porta com um clique definitivo. O cheiro dele invadiu o espaço—sabão caro, whisky fraco e uma frieza que fazia o ar esfriar. Puxou a outra cadeira de couro, mas não sentou. Ficou de pé atrás dela, suas mãos largas repousadas no alto do espaldar, os dedos batendo uma batida impaciente.

"Que acordo?" Ele perguntou, mas pelo tom, ele já sabia.

"Isabela aceitou se tornar sua esposa. O civil será amanhã. A festa, no próximo mês, depois que as coisas se acalmarem." Lyn falou como se estivesse listando itens de uma pauta.

O dedo dele parou de bater. O silêncio que se seguiu foi mais violento que um grito. Eu senti o olhar dele queimando o lado do meu rosto, mas não tive coragem de encará-lo.

"Inadmissível," ele cuspiu a palavra.

"É necessário," Lyn retrucou. "E você sabe o porquê. O conselho quer estabilidade. Uma imagem sólida. E eu... eu quero um bisneto. De preferência menino."

Ouvi a respiração de Rafael se tornar mais pesada. A tensão na sala era uma coisa viva, se contorcendo entre nós três. Quando ele finalmente falou, a voz estava baixa, perigosamente controlada.

"E ela concorda com tudo? Até com a cláusula de procriação?"

Lyn me olhou. Um comando claro nos seus olhos azuis. Minha garganta estava fechada. Abri a boca e um som rouco saiu. "Sim."

Rafael soltou um riso curto, amargo. "Cínico."

Ele se moveu. De uma vez, das costas da cadeira para frente da minha, seus dedos fechando sobre meus ombros como algemas de carne. Apertei os olhos, esperando um impacto que não veio. Só sua voz, um sopro quente e cortante no meu ouvido.

************

Eu estava no quarto já sem forças para suportar tudo que ouvi e vou fazer.

“Até ouvir a porta se abrir “

-Rafael

Eu me levantei e fui até ele, logo me ajoelhei para pedir ajuda.

Senhor, chefe por favor me ajude a sair daqui!!!

"Ajudar você a fugir?" A pergunta era um veneno doce. "Você já é a coisa mais valiosa desse império agora, Isabela. Fugir pra onde?"

Seus polegares fizeram um círculo lento, doloroso, na tensão dos meus músculos. Era quase um carinho. Era definitivamente uma ameaça. Eu tremi.

"Eu não quero isso," sussurrei, e a frase soou patética, perdida no cheiro dele.

"Pare de mentir," ele cortou, os dedos subindo para o meu pescoço, não apertando, apenas repousando onde meu pulso batia rápido demais. "Todo mundo quer alguma coisa. A Lyn quer um herdeiro. Você... deve querer o conforto que meu dinheiro compra. Ninguém entra nessa sala de graça."

Ele soltou-me como se eu estivesse queimando. Quando olhei para cima, ele já estava na porta, o perfil um corte duro contra a luz do corredor.

Você e eu tenho que dar o bisneto para minha avó, estão se preparare .

"Amanhã, às nove. Vista algo branco. Não atrase."

A porta fechou-se sozinha, com um silêncio amortecido que era pior que um bate-porta. Fiquei lá, na cadeira de couro que cheirava a poeira e poder, até minhas pernas pararem de tremer.

Na manhã seguinte, uma mulher de uniforme cinza e rosto impassível me esperava no quarto que não era meu. "Dona Lyn enviou. Para as compras."

Que compras? Perguntei já preocupada .

A empregada disse “ mais q perguntar é essa senhora! Para comp

Ela me levou a uma boutique discreta onde as luzes eram baixas e a seda brilhava como água. A vendedora sorriu, entendendo tudo sem uma palavra. As peças que apareceram na minha frente eram tecidos mínimos, rendas estratégicas, correntes de ouro fino que não escondiam nada.

"Isto para a noite," a mulher de uniforme disse, indicando um conjunto preto que era mais corda do que roupa.

Minha pele ficou gelada e quente ao mesmo tempo. Comprei. Obedeci. O pacote pequeno e pesado na minha mão era a minha sentença.

A cerimônia civil foi um evento seco, em uma sala com painéis de madeira. Rafael usava um terno cinza, impenetrável. Eu usava um vestido branco simples, comprado às pressas. Assinamos papéis. O juiz falou palavras que ecoaram no vão. Ninguém sorriu. Quando foi hora do beijo, ele inclinou-se, seus lábios tocaram os meus por menos de um segundo. Frio. Metálico. Vazio.

O quarto que agora era meu cheirava a cera nova e a um perfume caro e antigo que não era meu. As paredes eram de um cinza escuro, a cama larga demais, coberta por um brocado pesado. O pacote da boutique estava no centro do edredon, como uma mancha.

Abri-o com mãos que não tremiam. A renda preta era quase inexistente. O sutiã era dois triângulos minúsculos unidos por um fio de ouro. A calcinha, uma tira de tecido que eu sabia que não cobriria nada. Vista, a renda arranhava minha pele. Meus seios, quase totalmente expostos, pareciam maiores, a curva deles tensionada pelo fio fino. No espelho emoldurando a porta do guarda-roupa, uma estranha me encarava. Assustada. E, inegavelmente, excitada.

Deitei na cama fria, as rendas cortando minha pele nua nas costas. A luz do abajur era baixa. O silêncio da casa era absoluto. Eu esperava o barulho de seus passos, o giro da maçaneta. Meu coração batia na garganta.

Quando a porta se abriu, não foi com um giro, mas com um empurrão. Rafael entrou, a gravata desfeita, o casaco do terno pendurado em um dedo. Seus olhos, normalmente tão calculistas, estavam turvos, vidrados pelo uísque. Ele parou, encarando minha figura deitada sobre o brocado escuro.

“Então é isso,” ele disse, a voz arrastada e áspera. “O presente da vovó.”

Ele jogou o casaco no chão. Aproximou-se da cama, desabotoando a camisa. Eu não me mexi. Meu corpo estava tenso, um coelho na frente de um predador. O cheiro dele chegou até mim: uísque caro, suor masculino, uma raiva densa.

“Você nem tentou fugir,” ele observou, de pé ao lado da cama, olhando para baixo. Sua mão desceu, e seus dedos, quentes e ásperos, tocaram a renda que cobria meu quadril. “Vestiu o que ela mandou. Deitou na cama que ela escolheu. Você é tão obediente, Isabela?”

Antes que eu pudesse responder, seu peso caiu sobre mim. Um joelho abriu minhas pernas, o corpo dele, quente e duro, pressionando o meu. Eu dei um suspiro ofegante. Através das roupas, eu senti ele. Duro. Inteiramente duro contra minha coxa.

“Vamos ver o que minha avó comprou,” ele sussurrou, o hálito quente e alcoólico no meu ouvido.

Suas mãos foram brutais, eficientes. O fio de ouro do sutiã estalou. A renda preta rasgou. Ele arrancou os pedaços de tecido como se fossem papel. O ar frio do quarto bateu em meus mamilos, já eretos, e um gemido baixo escapou da minha garganta.

“Ah,” ele murmurou, seus olhos escuros fixos no meu corpo exposto. “Você gosta disso? Gosta de ser uma putinha comprada?”

Ele não esperou uma resposta. Sua boca desceu sobre o meu seio, não um beijo, mas uma posse. A língua dele era quente, áspera, lambendo e depois mordendo o mamilo até eu arquejar. A dor era aguda, doce, misturando-se com uma onda de calor que explodiu na minha virilha. Minhas mãos, que estavam inertes ao meu lado, subiram e se enterraram em seus cabelos.

Ele riu, um som baixo e amargo contra minha pele. “Quer mais?”

Ele se levantou apenas o suficiente para arrancar a própria calça e a cueca. Seu pau saltou para fora, grosso, escuro, a veia pulsando. O bico estava úmido, brilhando. Meus olhos não conseguiam desviar. Medo e desejo me atravessaram como um choque.

Ele não entrou. Só passou a cabeça do pau, inchada e escorregadia, pelos meus lábios inferiores, já abertos e melados. O contato foi elétrico, um choque úmido que me fez estremecer toda. Um gemido baixo, rouco, saiu de mim.

"Tão molhadinha," ele sussurrou, uma nota de puro desdém na voz. "Para uma noiva relutante, seu corpo mente, Isabela."

Ele pressionou a ponta, apenas a ponta, na minha entrada. A pressão era uma tortura. Meu corpo arqueou, buscando mais, mas ele se manteve firme, imóvel, me observando.

"Chupa."

A ordem foi curta, cortante. Ele se ajoelhou na cama, seu pau a centímetros da minha boca. O cheiro dele era salgado, masculino, intenso. Eu hesitei.

Um puxão brusco no meu cabelo forçou minha cabeça para frente. "Eu não pedi, Isabela. Eu ordenei."

Minha boca se abriu. A primeira sensação foi de calor, pele aveludada sob a língua, o sabor salgado do precum. Envolvi ele com meus lábios, tentando controlar o reflexo de engasgar.

Ele soltou um som gutural. "Assim."

Suas mãos no meu cabelo guiaram o ritmo, primeiro lento, depois mais profundo. Eu me concentrei na textura, no peso, no jeito que ele pulsava na minha língua. Meus próprios gemidos, abafados por ele, vibravam na base do meu estômago.

"Boa putinha," ele respirou, os dedos apertando meu couro cabeludo. "Engole tudo."

Ele empurrou, fundo, e eu engasguei, lágrimas brotando no canto dos meus olhos. Meu nariz esfregou na pele quente do seu ventre. Ele segurou lá por um instante eterno, antes de recuar, só para voltar com mais força.

Quando ele finalmente saiu da minha boca com um pop molhado, eu estava ofegante, a saliva escorrendo do meu queixo.

Sem uma palavra, ele me virou de bruços, um movimento brusco que me deixou de joelhos. Sua mão grande achatou minhas costas, curvando minha espinha, deixando meu traseiro exposto.

A ponta dele encontrou meu centro novamente, mas desta vez não havia hesitação.

Ele entrou com um único empurrão brutal, rasgando até o fundo.

Um grito saiu da minha garganta, um som cru que não reconheci. A dor da invasão foi rápida, diluída instantaneamente pela sensação avassaladora de plenitude. Ele estava em todo lugar, preenchendo espaços que eu não sabia que estavam vazios.

Ele parou, enterrado até as bolas, e eu senti cada polegada dele pulsando dentro de mim.

"Caralho," ele rosnou, suas mãos agarrando meus quadris com força de machado. "É apertadinha mesmo."

Ele começou a se mover. Lento no início, cada retirada uma agonia, cada volta uma punição doce. A fricção era áspera, perfeita. O som era úmido, obsceno, enchendo o quarto silencioso.

O ritmo aumentou. Suas coxas batiam nas minhas nádegas com uma cadência implacável. A dor se transformou em pura sensação, um calor radiante que começou no meu núcleo e se espalhou para cada extremidade.

"Isso," eu gemí, meu rosto enterrado no travesseiro. "Por favor."

"Por favor, o quê?" Ele exigiu, seu fôlego ofegante.

"Não sei."

"Diga."

Ele desferiu uma pancada particularmente profunda que me fez ver estrelas. "Mais. Por favor, mais."

Ele riu, um som escuro e vitorioso. Suas mãos se enrolaram no meu cabelo novamente, puxando minha cabeça para trás, arqueando meu corpo ainda mais enquanto sua investida se tornava frenética, animal.

Eu estava perto. A pressão se acumulava, incontrolável, arrastando-se pela minha espinha. Meus músculos se apertavam em torno dele, tentando puxá-lo mais fundo ainda.

"Vai gozar, sua puta comprada?" Ele grunhiu no meu ouvido. "Goza no pau do seu dono."

As palavras, cruas e degradantes, foram o gatilho. A onda quebrou, um tremor violento que tomou conta de mim, meus gritos abafados pelo colchão. Minha visão escureceu nas bordas, meu corpo convulsando em torno dele.

Sentindo eu me contrair, seu próprio controle se desfez. Ele enterrou o rosto no meu pescoço, um rugido abafado escapando enquanto ele se enterrava até o talo e jorrava dentro de mim, quente e interminável.

Ele deslizou para fora dela com um som úmido, e eu senti o calor dele escorrendo entre minhas coxas. Antes que eu pudesse reagir, seus dedos desceram, coletando uma mistura de nós dois.

“Abre,” ele ordenou, sua voz ainda rouca.

Eu virei a cabeça, mas sua mão livre a agarrou, firmando meu queixo. Seus olhos, escuros e impiedosos, prenderam os meus. “Abre a boca, Isabela.”

Eu resisti, meus lábios cerrados. O cheiro do sexo e do suor era denso no ar.

“Você já é minha esposa. Já está cheia de mim. Agora vai provar.” Sua voz era uma lâmina baixa. “Ou eu te viro de bruços de novo e te encho até você não aguentar mais.”

Um calafrio percorreu minha espinha. Era uma ameaça e uma promessa. Lentamente, meus lábios se separaram.

Seus dedos, encharcados, deslizaram sobre minha língua. O gosto era salgado, metálico, íntimo de um jeito que me fez engasgar. Ele observou, impassível, enquanto eu engolia.

“Agora sim,” ele sussurrou. “Agora você carrega o bisneto da Lyn. Em toda parte.”

Ele se levantou, seu corpo alto e marcado projetando uma sombra sobre mim. “Banho. Agora.”

Meus joelhos tremiam quando pus os pés no chão. O tapete persa estava frio sob meus pés nus. Caminhei até o banheiro luxuoso, sentindo o rastro dele escorrer pelas minhas pernas.

A água quente começou a cair no box de mármore, enchendo o ambiente com vapor. Eu entrei, deixando a água lavar minha pele sensível. Fechei os olhos.

O vidro deslizou. Ele entrou, seu corpo imponente ocupando o espaço. A água escorreu pelos contornos duros de seus músculos, pelo corte preciso de seu abdômen, por seu pau que já voltava a ficar interessado.

Ele não disse nada. Apenas me virou de costas para ele, pressionando meu torso contra a parede fria de mármore. Suas mãos seguraram meus quadris.

“Você não terminou,” ele murmurou contra meu ouvido, sobre o barulho da água. “Eu sei que não.”

E então ele estava dentro de novo, um preenchimento brutal e instantâneo que fez meu estômago contrair. A água quente batia em nossas costas enquanto ele começava a se mover, devagar primeiro, cada enfiada uma afirmação.

“Geme,” ele ordenou, suas mãos subindo para apertar meus seios. “Quero ouvir.”

Eu mordi meu lábio, abafando o som. A resistência era tudo o que eu tinha.

Ele parou, completamente. A imobilidade era pior. A necessidade latejou dentro de mim, humilhante e urgente.

“Geme alto, Bela,” ele insistiu, sua boca no meu ombro. “Ou ficamos aqui a noite toda, comigo quase dentro.”

Um gemido escapou, fraco e rouco. Foi o que ele queria.

“Mais,” ele rosnou, retomando o ritmo, agora mais rápido, suas coxas batendo contra as minhas com um som úmido e contundente. Meus gemidos se tornaram gritos abafados pelo mármore, cada impacto me empurrando mais perto do limite.

Suas mãos percorreram meu corpo, possessivas. Sua boca encontrou meu pescoço, e eu senti a sucção forte, a pontada aguda de dor prometendo uma marca.

“Não… não marca,” ofeguei, tentando me contorcer. “Preciso trabalhar amanhã.”

Ele riu, um som sem humor. “Você acha que vai para aquele escritório?” Suas mãos apertaram meus quadris com mais força, seus dedos cavando na minha carne. “Sua pele vai mostrar para todo mundo de quem você é. Onde você pertence.”

Ele marcou o outro lado do pescoço, depois meu ombro, sua boca descendendo pela minha coluna enquanto seu corpo continuava a invadir o meu. Eu estava presa entre o mármore frio e o calor dele, entre a vergonha e a pura sensação física que me consumia.

Quando ele gozou de novo, foi com um rugido baixo, seus dentes afundando no músculo do meu ombro. Eu cheguei ao clímax junto, meu corpo traidor convulsionando em uma rendição silenciosa, diluída pela água quente que caía sobre nós.

Ele ficou ali por um momento, o peso dele sobre mim, nossa respiração ofegante competindo com o som do chuveiro. Então ele se afastou.

Sem uma palavra, ele saiu do box, deixando-me sozinha sob a água. Eu me virei, encostando na parede. No espelho embaçado, eu podia ver o começo das marcas roxas florescendo na minha pele.

Mapas de posse. A prova de que a Isabela do bandeijão tinha morrido ali, naquela tarde, com a sopa fria e o olhar calculista de uma velha senhora.

O pequeno-almoço era um silêncio pesado, quebrado apenas pelo tinir de talheres contra a porcelana fina.

Eu puxei a gola do meu roupão de seda, um gesto que já era um reflexo. As marcas no meu pescoço tinham desbotado para um amarelo esverdeado, mas ainda eram visíveis. Como um selo.

Rafael não olhava para mim. Seus olhos cinzentos percorriam o jornal financeiro, sua postura rígida à cabeceira da mesa era um muro. Cinco meses. Cinco meses desde a noite no chuveiro, desde que ele me tocou pela última vez com aquela fúria possessiva.

Dona Lyn, ao contrário, não tirava os olhos de mim. Seu olhar azul descia para a barriga redonda e inconfundível sob o tecido da seda.

"A barriga está linda, minha nora," ela disse, a voz doce como mel envenenado. "Arredondadinha. Baixa. É menino, tenho certeza."

Um estalido seco. Rafael fechou o jornal. O som fez eu pular no lugar.

"Lyn," ele advertiu, a voz um aviso gelado.

"O quê, Rafa? Estamos todos adultos aqui." Ela passou manteiga no pão com movimentos precisos. "A Bela está dando o que esta família precisa. Um herdeiro. Você deveria estar em casa mais, apreciando a vista."

O ar pareceu sair da sala. Rafael ergueu os olhos finalmente, e o desdém neles era uma lâmina. Ele não olhava para a minha barriga. Olhava para o meu pescoço, para as marcas que ele próprio fez, e seu lábio superior curvou-se em um leve movimento de nojo.

Ele empurrou a cadeira para trás, o ruído das pernas no mármore ecoando. Sem uma palavra, ele pegou a pasta que já estava encostada na porta. A porta do apartamento se abriu e fechou. Um baque final.

O silêncio que ficou era pior. Eu podia sentir o cheiro do café dele, ainda quente na xícara não tocada. O vazio do lugar dele à mesa.

"Ele tem muito trabalho," murmurou Dona Lyn, mas um brilho de satisfação dançava em seus olhos. "Homens como ele são assim. Distantes. Até o bebê nascer. Aí você vai ver."

Eu não respondi. Minhas mãos tremiam no colo. A criança dentro de mim deu um chute, como se sentisse a tensão, a rejeição do próprio pai. Um menino. Todos diziam que era menino.

Os meses que se seguiram foram um desfile de solidão em aposentos luxuosos. Rafael praticamente vivia no escritório, ou em "compromissos". O cheiro de outro perfume, suave e caro, numa camisa esquecida no cesto. Uma mecha de cabelo loiro, longa, no banco do carro. Eu sabia. A amante.

O parto foi rápido e brutal. Uma dor que rasgou o silêncio da minha existência naquele apartamento. Quando coloquei o pequeno Miguel no peito, um choro rouco escapou da minha garganta. Era lindo. Tinha o cabelo escuro do pai, mas os meus olhos amendoados.

Rafael apareceu no hospital horas depois, o terno impecável, o rosto um estudo em conflito. Ele parou na porta, observando enquanto eu amamentava. Seus olhos fixaram no bebê, e algo neles estremeceu, rachou. Foi a primeira vez em meses que ele me olhou por mais de um segundo.

Ele se aproximou, lento, e estendeu um dedo hesitante para tocar a mão minúscula que se agarrava a mim. Miguel o agarrou, o reflexo forte. A expressão de Rafael se dissolveu. O desdém, a frieza, tudo se desfez num instante de puro, cru espanto.

"Meu Deus," ele sussurrou, a voz irreconhecível.

Fiquei paralisada. Aquele homem que me possuíra com ódio, que me ignorara por meses, agora olhava para nosso filho com uma devoção que me doía no peito. Era um amor que não era para mim. Nunca seria.

As semanas pós-parto foram um turbilhão. Rafael estava em casa. O tempo todo. Ele não tocava em mim, mas passava horas com Miguel, um fascínio obsessivo no olhar. A amante e o perfume desapareceram. Substituídos por fraldas e o cheiro de leite.

"Você precisa voltar ao trabalho," Dona Lyn anunciou um dia, observando Rafael embalar o bebê no terraço. "Mostrar o rosto. Reafirmar seu lugar. O menino ficará com a babá que contratei."

O escritório era o mesmo, mas eu era outra. O uniforme corporativo agora parecia uma fantasia mal ajustada sobre um corpo que amamentava, que doía em lugares novos. As outras secretárias sussurravam quando eu passava. "A mulher do CEO." "A que engravidou." "A sortuda." Nenhuma delas sabia do cheiro de perfume no carro, das noites sozinha olhando para o teto.

Foi no elevador, um mês depois do meu retorno, que o conheci. O elevador lotou, e um homem alto de terno cinza foi empurrado contra mim. Seu antebraço, nu onde a manga estava arregaçada, pressionou o meu. A pele dele era quente. O contato durou dez andares. Ninguém falou. Quando as portas se abriram no setor de contabilidade, ele saiu, mas antes, seus olhos verdes encontraram os meus no reflexo das portas de aço. Um segundo. Dois. Depois, ele sumiu no corredor.

Seu nome era Dante. Soube no dia seguinte, quando ele apareceu na minha sala com uma pilha de documentos para o Rafael. "Isabela Costa, certo?" Ele perguntou, e a maneira como disse meu nome soou como uma pergunta íntima. Seus dedos tocaram os meus ao passar as pastas. Uma corrente elétrica subiu pelo meu braço, direto para o centro do meu corpo, adormecido há tanto tempo.

Começou com cafés. "Vamos descer tomar um café, Isabela? Você parece precisar." Depois, almoços rápidos. Ele falava, eu ouvia. Ele ria, um som grave e quente, e eu me descobria sorrindo de verdade pela primeira vez em um ano. Ele via a mulher, não a mãe, não a nora. Via a raiva que eu engolia, o cansaço nos meus ombros.

O jantar foi marcado para uma sexta-feira. Rafael estava em São Paulo. Miguel, com a babá. O vestido preto era simples, mas ele me olhou como se eu estivesse nua. O restaurante era pequeno, íntimo, a luz de velas dançando no vinho tinto. "Ele te trata como um móvel," Dante disse, a voz baixa e carregada. "Algo funcional. Bonito, mas sem vida própria."

Eu não neguei. Bebi o vinho. Deixe que as palavras dele me despissem primeiro.

No apartamento dele, a porta mal fechou. Suas mãos, grandes e firmes, encontraram meu rosto. "Você é linda," ele murmurou, e então sua boca encontrou a minha. Não foi um beijo, foi uma posse. Sua língua invadiu, exigente, e um gemido escapou da minha garganta. Um som de fome. De volta à vida.

Ele me levantou, minhas pernas envolvendo sua cintura, e me carregou até o sofá. A madeira era fria nas minhas costas descobertas. Seus olhos verdes queimavam no escuro. "Quero ver tudo," ele ordenou, rasgando o vestido na costura com as mãos. O som do tecido cedendo foi brutal. Delicioso.

Ele olhou para meus seios livres, para a barriga ainda macia da gravidez, e não houve desgosto, só desejo puro. "Perfeita," ele raspou, e então sua boca estava em mim, sugando um mamilo enquanto sua mão apertava o outro. A sensação foi um choque, uma agulhada de prazer direto no útero. Meu corpo arqueou, um grito abafado no ar.

Seus dedos desceram, encontrando minha calcinha encharcada. "Jesus, Isabela," ele gemeu contra minha pele. "Você está pingando." Ele arrancou o tecido, o rasgou como tinha feito com o vestido, e então dois dedos largos entraram em mim. Eu estava tão aberta, tão pronta, que eles deslizaram até o fundo sem resistência.

"Assim?" Ele perguntou, bombando os dedos com um ritmo implacável. A palma da mão dele esfregava meu clitóris a cada entrada. Meus quadris saíam do sofá, buscando mais. Eu estava me afogando na sensação, na sujeira, na verdade daquilo. Um ano sem ser tocada. Um ano de gelo.

"Dante, por favor."

"Por favor, o quê?"

"Me fode."

Ele soltou um som animal. Suas calças foram abertas, o zíper rangendo de pressa. Seu cock saltou para fora, grosso, curvado, a cabeça roxa e brilhante de necessidade. Ele se posicionou entre minhas pernas, a ponta quente pressionando minha entrada. Ele me fitou, os olhos verdes prendendo os meus. "Olha pra mim," ele ordenou. "Quero ver no seu rosto o momento em que você deixa de ser dele."

E então ele empurrou. Um inchaço, um estiramento glorioso. Ele era maior que Rafael, preenchia cantos de mim que estavam adormecidos. Um gemido longo e trêmulo saiu dos meus lábios. Ele entrou até o fim, suas coxas batendo nas minhas, seu corpo cobrindo o meu. Parou. Respirou. Sua testa encostou na minha.

"É meu agora," ele sussurrou, e começou a se mover.

Não foi gentil. Foi devorador. Cada enfiada era uma reivindicação. O som úmido e alto do nosso sexo encheu o quarto escuro. Suas mãos agarravam meus quadris, os dedos cavando na minha carne, me puxando contra ele com mais força. A dor do prazer era aguda, deliciosa. Eu gritei.

"Isso, grita," ele rosnou. "Grita o nome dele da minha cama. Mostra pra ele o que ele perdeu."

Eu não pensei em Rafael. Pensei na pressão que construía dentro de mim, no atrito perfeito, na maneira como seu corpo suado colava no meu. Meus pés traçaram as costas dele, minhas unhas arranharam os ombros. Eu estava por toda parte, sentindo tudo. O suor escorrendo pelo vale das minhas costas. O cheiro salgado da pele dele. O gosto do seu pescoço quando eu o mordi.

Ele mudou o ângulo, sentou-se de joelhos e puxou meus quadris para cima. A visão dele, todo músculo e tensão, seu cock entrando e saindo de mim, brilhando com meu prazer, foi de uma obscenidade tão linda que eu quase gozei só de olhar. Ele viu. Sorriu, um sorriso de lobo.

"Não ainda," ele disse, e desacelerou, fazendo voltas longas e torturantes. "Você vem quando eu mandar."

Ele me fez implorar. Me fez chorar. Me virou de quatro no sofá e me tomou por trás, uma mão enterrada no meu cabelo, a outra batendo de leve na minha nádega já vermelha. Cada tapa acendia um novo fogo. A pressão dentro de mim era uma bola de plasma, prestes a explodir.

"Agora," ele rugiu, seus dedos encontrando meu clitóris, apertando. "Vem pra mim."

O orgasmo me arrancou em pedaços. Um tremor violento que começou lá no fundo e explodiu para fora, um grito rouco rasgando minha garganta. Meu corpo convulsionou em torno dele, puxando-o mais profundo. Ele gemeu, um som rouco, e então senti a jorrada quente dele lá dentro, pulsando, enchendo-me enquanto ele desabava sobre minhas costas.

Ficamos assim por séculos, grudados, ofegantes. O ar cheirava a sexo e sal. Meu corpo latejava. Meu coração batia como um pássaro preso.

No chuveiro, a água quente lavou as evidências, mas não a sensação. Ele me lavou com uma reverência que fez meus olhos arderem. Seus lábios no meu ombro, nas cicatrizes do parto. "Lindo," ele murmurou, e dessa vez soou como uma tristeza.

Voltei para casa às três da manhã. O apartamento silencioso e frio cheirava a desinfetante e solidão. Subi as escadas de mármobre em silêncio, meu corpo ainda dolorido, ainda cheio dele.

A porta do quarto rangeu ao abrir. A luz fraca da varanda entrava pelas frestas das persianas, iluminando a silhueta dele sentado na beirada da cama. Rafael. Não dormindo. Apenas sentado, os cotovelos apoiados nos joelhos, as mãos penduradas.

Ele ergueu a cabeça quando entrei. Seus olhos cinzas me percorreram no escuro, do meu cabelo desalinhado aos meus pés descalços. O ar parou. Ele farejou o ar, quase imperceptivelmente. Um músculo saltou em sua mandíbula.

“Onde você estava?” A voz dele era baixa, plana. Uma lâmina embotada.

Minha garganta fechou. A mentira mais simples morreu na língua. O cheiro dele ainda estava na minha pele, sob o perfume e o suor. O cheiro de Dante. Sal, sexo, pele masculina.

Ele se levantou. Movimento fluido de predador. Parou diante de mim. Seu dedo indicador frio tocou minha clavícula, desceu pelo vale entre meus seios, ainda sensíveis sob o roupão. Parou no cinto do tecido.

“Abra.”

Não era um pedido. Era um veredicto.

Meus dedos tremeram no cordão. O roupão caiu aos meus pés, um pool de cetim no chão de madeira. Fiquei nua sob o olhar glacial dele. A luz da varanda acariciou meu corpo, iluminando as marcas que as mãos de Dante haviam deixado. Os roxos sutis nos quadris. O verniz manchado nos dedos dos pés.

Ele não tocou. Apenas olhou. Seu rosto era uma máscara de granito. Então, ele virou e caminhou de volta para a cama. “Deite-se.”

Deitei-me nas folhas frias de algodão egípcio. A diferença era brutal. Da pele quente e do suor para este frio estéril. Ele se ajoelhou entre minhas pernas. As afastou com uma firmeza que não era violenta, apenas absolutamente definitiva.

E ele olhou.

O ar gelado do quarto tocou minha carne mais íntima, ainda inchada, ainda macia. Minha respiração ficou presa. Ele se inclinou, seus olhos examinando cada dobra, cada brilho residual. A luz era suficiente. Mais que suficiente.

Lá dentro, mesclado com meu próprio corpo, o brilho pálido e pegajoso dele. O gozo de Dante. Não totalmente absorvido. Uma mancha prateada e obscena contra meu vermelho vivo. A prova. A evidência física pulsando entre minhas pernas.

Rafael observou por um tempo que pareceu uma eternidade. Seu rosto não mudou. Nem sua respiração. Então, ele ergueu os olhos para os meus. “Você tem um amante.”

Não era uma pergunta. Era uma confirmação. Uma catalogação. Eu engoli. O sabor de Dante ainda estava na minha boca. “Sim.”

Ele fechou os olhos por uma fração de segundo. Quando os abriu, não havia raiva. Não havia ciúme. Havia um vazio tão profundo que doeu mais que um tapa. Ele simplesmente se levantou, virou as costas e caminhou até a janela.

“Durma,” ele disse para o vidro. “Temos um dia cheio amanhã.”

Deitei-me ali, aberta, exposta, a noite inteira. Ele nunca voltou para a cama.

O escritório às sete da manhã cheirava a café fresco e ansiedade. Meu corpo ainda latejava de cansaço e resquícios de prazer. Meus dedos tremiam ao digitar o primeiro e-mail do dia.

A porta do meu escritório, um cubículo de vidro com vista para o corredor cinza, se abriu sem que eu ouvisse uma batida. Dante entrou e fechou a porta atrás de si. O clique da fechadura foi suave. Final.

Ele vestia um terno cinza-ardósia, impecável. Seu rosto estava limpo, sereno. Nenhum traço da fera suada do sofá. Apenas o executivo. Até que seus olhos encontraram os meus.

Sem uma palavra, ele caminhou até minha mesa. Suas mãos, as mesmas que me viraram e me prenderam, empurraram meus papéis para o lado. A caneta rolou e caiu no chão.

“Você cheira a ele,” ele murmurou, seus dedos encontrando o zíper do meu vestido corporativo. “Cheira a vazio.”

O zípere desceu. O tecido abriu. O ar condicionado gelado tocou meus seios. Um mamilo já endureceu. Traição. “Dante…”

“Cala,” ele ordenou, suave, e puxou minha cadeira para longe da mesa. Ajoelhou-se. Seu hálito quente explodiu na minha pele nua. “Ele te olhou. E não te tocou.”

Seus lábios fecharam-se em torno do meu mamilo. A sucção foi imediata, voraz. Um arquejo escapou dos meus lábios. Minhas mãos enterraram-se em seu cabelo perfeitamente cortado, desalinhando-o. Ele não se importou.

Ele sugou meu seio como se quisesse extrair da carne a memória do olhar de outro homem. A dor era afiada, doce, uma marcação de território. Eu gemeu, minha cabeça recuando contra o encosto da cadeira, meus quadris se erguendo instintivamente em busca de atrito, de alívio.

“Você é minha,” ele rosnou contra minha pele, seus dentes raspando levemente o mamilo inchado antes de sua língua acariciar a ferida. “Minha. Entendeu? Mesmo quando está na cama dele.”

Suas mãos desceram, agarrando a barra do meu vestido e da minha saia, puxando tudo para cima de uma vez. O ar gelado do escritório atingiu minha pele nua das coxas para cima. Eu estava só de calcinha, simples, de algodão. A renda barata que eu usava para Rafa havia ficado no chão do quarto dele.

Dante viu o tecido simples e um som baixo, quase um rosnado de satisfação, saiu de sua garganta. “Boa menina,” ele sussurrou, ironia e posse misturadas. “Guardou a putinha só para ele.”

Seu dedo deslizou por cima do algodão, encontrando o núcleo quente e já encharcado de mim. Eu gemi, um som alto e quebrado no silêncio do cubículo de vidro. Qualquer um poderia ver. A cortina estava aberta.

“Dante, a janela…”

“Deixa que vejam,” ele cortou, seus olhos fixos nos meus enquanto seu dedo pressionava, fazendo o tecido molhado afundar em mim. “Deixa que todo o andar veja o que o CFO faz com a mulher do CEO na mesa dela.”

Ele rasgou a calcinha. O som do algodão cedendo foi brutal. Seus dedos então, sem barreiras, me encontraram. Dois dedos, entrando de uma vez, uma invasão gloriosa que me fez gritar. Eu estava tão aberta, tão pronta, ainda sensível da noite de solidão. Meu corpo o traiu, apertando em volta dele, sugando seus dedos para dentro.

“Olha para você,” ele disse, sua voz rouca de desejo. Ele movia os dedos dentro de mim com uma cadência implacável, a palma da mão esfregando meu clitóris a cada entrada. “Molhada por mim. Apertando em mim. Ele nunca te fez ficar assim, fez? Nunca te conheceu assim.”

Era verdade. Rafa era metódico, distante, mesmo no sexo. Dante era o furacão. Eu balbuciei seu nome, minha visão ficando turva, meus quadris acompanhando o ritmo de sua mão. O orgasmo se aproximou, rápido e devastador, construindo na minha base da espinha.

Ele sentiu. Retirou os dedos de repente.

O gemido de frustração que saiu da minha boca foi animal. Eu estava tremendo, à beira, vazia.

“Não ainda,” ele ordenou, levantando-se. Seus olhos estavam escuros, predadores. Suas mãos foram para o cinto, depois para o zíper. Ele não usava cueca. Seu pau já estava completamente ereto, pesado, a veia saltada pulsando. A cabeça estava vermelha e brilhante de desejo. Ele o pegou na mão, deu uma bombeada lenta, e eu não consegui desviar o olhar.

“Quatro anos, Bela,” ele disse, avançando. “Quatro anos te comendo na mesa, no banheiro, no carro. E ainda.” Ele colocou a ponta na minha entrada, pressionando, mas não entrando. “Ainda sinto que posso perder você para aquele fantasma de terno.”

Ele entrou.

Lentamente. Uma polegada agonizante de cada vez, me abrindo, me alongando. Eu estava molhada, mas ele era grande, e a plenitude era avassaladora. Meus dedos se agarraram às bordas da cadeira, os nósculos brancos. Meu queixo tremia. “Dante… por favor…”

“Por favor, o quê?” ele sussurrou, seus lábios perto dos meus. Ele parou, completamente dentro. Eu me sentia preenchida até a garganta.

“Meche,” eu supliquei. “Por favor, meche.”

Ele começou a se mover. Devagar primeiro, cada retirada uma tortura, cada embate uma bênção. O som da nossa pele se encontrando, úmida, era explícito. O cheiro do sexo, salgado e musk, encheu o ar refrigerado. Ele mudou o ângulo, e a ponta dele raspou em algo dentro de mim que fez estrelas explodirem atrás das minhas pálpebras.

Meus gemos ficaram mais altos, incontroláveis. Eu olhei por cima do ombro dele, para o corredor vazio. A reunião matinal já tinha começado. Em algum lugar, Rafa estava falando de lucros e prejuízos. E eu estava aqui, sendo fodida pelo seu braço direito na minha mesa, meu corpo traindo cada voto silencioso que eu já fiz.

O ritmo de Dante aumentou. A cadeira de escritório rangia, suas rodas se movendo para frente e para trás no piso. Suas mãos agarraram meus quadris, seus dedos cavando na minha carne, segurando-me no lugar enquanto ele batia em mim. Cada impacto me empurrava contra o encosto. Logo, eu sabia, haveria marcas roxas. Marcas dele.

“Diz meu nome,” ele rosnou, sua respiração ofegante no meu ouvido.

“Dante,” eu gemi.

“De novo.”

“Dante! Dante!”

Ele soltou uma de minhas coxas e sua mão veio para a minha frente, seus dedos encontrando meu clitóris inchado. O toque foi direto, experiente, a pressão perfeita. Eu me despedacei.

O orgasmo me arrancou de dentro para fora, um tremor violento que me fez gritar e me apertar em volta dele como um punho. Ele gemeu, um som profundo e gutural, e senti seu próprio corpo enrijecer. Ele enterrou o rosto no meu pescoço, seus dentes afundando na minha pele enquanto sua própria onda o levava, seus jorros quentes inundando meu interior em pulsos longos e intermináveis.

Nós ficamos assim por um longo minuto, entrelaçados na cadeira, a única música sendo nossa respiração ofegante tentando encontrar um ritmo normal. O calor dele dentro de mim começou a esfriar. A realidade, como água gelada, escorria pelas minhas costas.

Ele se retirou, devagar, e o som úmido me fez corar. Sua mão apareceu na minha frente segurando um lenço de linho branco, imaculado. "Para se limpar," disse Dante, sua voz já de volta ao tom profissional, só um pouco mais rouca.

Eu peguei o lenço sem olhar para ele. Enquanto me virava, ajustando a saia, senti seu sêmen escorrer pelas minhas coxas. A marca física do que fizemos. A prova. Meu corpo ainda tremia por dentro.

Ele já estava se recompondo, puxando o zíper do jeans, arrumando a camisa social cinza. Em trinta segundos, Dante Greey parecia pronto para liderar uma reunião de diretoria. Só o olhar fixo em mim, mais escuro do que o normal, traía o que tinha acontecido.

"Isso não pode se repetir," ele disse, não como um pedido, mas como um fato que ele registrava para si mesmo.

Eu dei uma risada amarga, ainda enxugando minhas pernas com seu lenço agora manchado. "Claro que não. Foi um deslize. Um favor, lembra?"

Ele ignorou o sarcasmo. "Rafa não pode suspeitar."

O nome dele, na boca de Dante, me fez encolher. "Ele não suspeita de nada. Ele nem me vê."

Antes que Dante pudesse responder, o som nos atingiu como um trovão: batidas duras, impacientes, na porta do meu cubículo. *Toc, toc, TOC.*

O sangue congelou nas minhas veias. Nossos olhos se encontraram. O seu, gelo. Os meus, pânico puro.

"Isabela." A voz do outro lado da porta era baixa, cortante, e inconfundível. Rafael.

Dante agiu rápido. Um aceno de cabeça silencioso em direação ao pequeno espaço entre a estante de arquivos e a parede. Uma tocaia. Eu entendi. Eu me arrastei para o espaço apertado, meu coração batendo tão forte que eu tinha certeza que dava para ouvir. Dante deu um último olhar no ambiente, pegou a caneca de café vazia da minha mesa, e abriu a porta.

"Rafa. Estava procurando a Bela?" A voz dele era relaxada, natural.

"Você viu ela?" A voz de Rafael era plana. "Preciso que ela revise os números da Lyn antes do almoço."

"Ela saiu há alguns minutos. Disse que ia buscar um café. Alguma emergência?"

Um silêncio carregado. Eu me encolhi mais, sentindo o cimento frio da parede através da blusa.

"Não. Só… certifique-se de que ela está na reunião das quatorze. Minha avó vai querer vê-la." Houve um tom estranho na última frase. Uma ponta de… irritação?

"Claro. Vou passar o recado."

Outra pausa. Eu podia sentir o olhar de Rafael varrendo o cubículo por cima do ombro de Dante. Examinando. "O que você estava fazendo aqui, Greey?"

"Deixando alguns relatórios. E tomando um café emprestado. O da sala dos diretores está horrível hoje."

Rafael não disse nada por um momento que pareceu uma eternidade. "Certo. Não se atrase para a reunião de vendas."

Ouvi os passos dele se afastando, firmes e regulares, no corredor de carpete. A porta se fechou. Dante não se moveu. Esperou. Um minuto. Dois.

Ele finalmente veio até o meu esconderijo e estendeu a mão. "Ele foi embora."

Eu peguei a mão dele e me levantei, minhas pernas moles. Meu corpo ainda cheirava a sexo. Meu batom estava manchado. "Ele… ele sentiu algo?"

Dante soltou minha mão como se tivesse se queimado. "Não. Mas ele não é burro. Tome um banho. Troque de roupa." Seus olhos percorreram meu corpo, e pela primeira vez, vi algo além de cálculo neles. Uma faísca de posse. "E se livre dessas marcas no pescoço."

Minha mão voou para o lugar onde seus dentes tinham afundado. A pele estava dolorida, inchada. Uma marca de posse, de fato. Meu estômago embrulhou de vergonha e de um prazer residual teimoso.

Ele se virou para sair, mas parou na porta. Sem olhar para trás, disse: "A reunião das quatorze. Não falte."

E então ele se foi, deixando para trás o silêncio, o cheiro do nosso sexo, e o lenço de linho manchado em cima da minha mesa.

O banho no vestiário dos funcionários foi rápido e gelado. Esfreguei minha pele até ficar vermelha, tentando apagar a sensação dele, o cheiro, o gosto salgado do suor dele na minha boca. Troquei a roupa íntima encharcada por uma limpa do meu armário. Passei base grossa nas marcas roxas do meu pescoço e quadris. Quando me olhei no espelho embaçado, vi uma estranha. Uma mulher com olhos muito brilhantes e uma boca inchada de beijos que não eram de amor.

Eu abri a porta do apartamento às nove da noite, e o ar condicionado gelado bateu no meu rosto como uma repreensão. A sala estava escura, apenas a luz azulada da TV iluminava o perfil rígido de Rafael sentado no sofá, um copo de whisky parado na sua mão.

Ele não olhou para mim. "Onde você estava?"

"Na reunião de vendas. Depois, fiquei terminando uns relatórios." Minha voz soou fina, mentirosa até para meus próprios ouvidos.

"A reunião acabou às dezesseis. São vinte e uma." Ele finalmente girou a cabeça. Seus olhos cinza, na penumbra, eram como pedras polidas pelo mar. "Cheirei seu pescoço hoje, na sala de arquivos. Você tomou banho. Você nunca toma banho no trabalho."

Meu coração parou. A base grossa no meu pescoço parecia uma máscara de gesso, quente e falsa. "Não sei do que você está falando."

Ele se levantou, lento, deliberado. O copo foi posto na mesa de centro com um clique seco. "Vou perguntar de novo. Onde você estava? E com quem?"

O cansaço, a vergonha, o prazer teimoso de horas atrás, tudo se transformou em um fio de raiva pura. "Por que importa, Rafa? Você passa o dia todo fechado com sua 'assessora'. A Valentina, não é? A de cabelo preto e sorriso caro."

Ele deu um passo à frente. "Não desvie. Quem era?"

O cheiro dele, whisky e alguma coisa amarga, invadiu meu espaço. A marca no meu pescoço latejou sob a maquiagem. Se você insiste em saber "Dante. Dante Greey." Tá feliz agora?

O nome ecoou na sala silenciosa como um tiro. A expressão dele não mudou, não houve surpresa. Apenas uma frieza que se aprofundou, tornando-se algo perigoso e vivo. "O contador. O viadinho metido a esperto."

"Não fale dele assim."

"Por que não? Ele te tocou onde, Bela? Na mesa do arquivo? Foi rápido? Ele te comeu de ladinho enquanto eu estava a dez metros de distância?" Sua voz era um sussurro áspero, carregado de um ódio que me fez recuar.

"E a Valentina, Rafa? Ela te toca onde? No seu sofá de couro italiano? Ela engole o seu choro de homem frustrado?" Gritei de volta, as lágrimas queimando atrás dos meus olhos.

Ele fechou a distância em um movimento, suas mãos agarrando meus braços com uma força que fez eu soltar um ganido. "Ela não significa nada. É um negócio. Um acordo. Você… você deveria significar tudo. E você se espalha para o primeiro pau disponível que te olha."

Seu rosto estava a centímetros do meu. Eu conseguia ver os fios de prata nos templos dele, a contração furiosa do músculo da sua mandíbula. "Ele te fez gozar?" Ele cuspiu as palavras. "O Dante? Ele colocou a mão na sua buceta e você gemeu para ele?"

"Pare."

"Ele meteu em você? Você estava pingando por ele, Isabela? Sua calcinha estava encharcada quando você veio para a minha sala servir chá para a minha avó?"

Eu me debati, mas suas mãos eram como grilhões. "Solta-me! Você não tem direito! Você tem a sua piranha! Eu tenho o meu…" A palavra travou na minha garganta.

"Seu amante?" Ele completou, e o escárnio na voz era um ácido. "Você acha que ele é seu? Ele te usa. Assim como eu uso a Valentina. A diferença é que eu nunca te escondi o que somos. Você… você se ofereceu para ele de graça."

A raiva deu lugar a um desespero profundo. "E o que somos, Rafael? Me diga! Porque eu não sei mais! Somos marido e mulher? Somos sócios? Somos dois estranhos que dividem uma cama e uma conta bancária?"

Ele me sacudiu, uma vez só, mas foi o suficiente para minha cabeça balançar. "Você é MINHA." O rugido saiu baixo, gutural, saiu das entranhas dele. "Seu corpo é meu. Seu gozo é meu. Seu cheiro é meu. Você pode tentar se sujar com outro, mas no final, você sempre volta para onde pertence."

Foi quando a porta do corredor se abriu. Um pequeno vulto de pijama azul, com olhos arregalados e sonolentos, esfregou um punho no rosto. "Papai? Mamãe?" A voz do Miguel, de cinco anos, era um fiozinho de medo. "Por que vocês estão gritando? Posso dormir com vocês hoje?"

A voz do Miguel cortou a tensão como um bisturi. Rafael soltou meus braços de imediato, seu rosto ainda uma máscara de fúria, mas seus olhos se afastando de mim para se fixarem no nosso filho. O ar saiu dos meus pulmões em um suspiro trêmulo.

"Papai…" Miguel repetiu, sua boquinha fazendo um beiço.

Rafael engoliu seco. Eu vi o esforço físico, os músculos do pescoço dele se contraindo enquanto ele forçava a fúria para longe. Quando ele se virou para o menino, sua expressão tinha mudado. Ainda rígida, mas mais suave. Controlada. "Não é nada, miguelzinho. Papai e mamãe estavam só… discutindo um assunto de trabalho. Tarde da noite."

Ele se aproximou do garoto, ajeitando o pijama azul. "Você não pode dormir aqui hoje. Mamãe não está se sentindo bem. Vamos, te levo de volta para a cama."

Ele pegou Miguel no colo, evitando meu olhar. O menino enterrou o rosto no ombro do pai, mas seus olhinhos castanhos, tão iguais aos meus, me fitaram por cima do ombro de Rafael, cheios de uma confusão que me partiu ao meio. A porta do quarto se fechou atrás deles.

Fiquei parada no meio do quarto, os braços onde suas mãos tinham deixado marcas vermelhas começando a latejar. O silêncio voltou, mais pesado e mais venenoso do que os gritos. O quarto cheirava a ele, a nós, ao conflito não resolvido. A cama, desfeita, era um testemunho mudo.

Levei uns cinco minutos arrumando os lençóis com movimentos bruscos e inúteis, tentando colocar ordem em algo que estava fundamentalmente quebrado. Quando a porta se abriu de novo, eu estava sentada na beirada da cama, olhando para minhas próprias mãos.

Rafael entrou e fechou a porta com um clique suave. O silêncio dele agora era pior. Ele tirou o casaco e o colocou sobre a poltrona, depois desabotoou o primeiro botão da camisa social branca. Seus movimentos eram precisos, econômicos. Como um predador circulando.

"Ele dormiu?" Minha voz soou rouca, estranha para meus próprios ouvidos.

"Sim." Ele não olhou para mim. "Bela, sobre o que você disse…"

Eu levantei, a raiva voltando como uma maré ácida. "Sobre a sua amante? Sobre o seu 'acordo'? Vai dizer que é mentira, Rafael? Que a Valentina Rossi não está sempre no seu telefone, não aparece em todos os jantares de negócios que você 'esquece' de me convidar?"

Ele finalmente girou para enfrentar-me. Seus olhos cinza eram poços de tempestade. "E o Dante? Ele é o quê? Caridade? Você faz serviço social com as calças abaixadas?"

"Ele me vê! Ele me escuta! Ele não me trata como um móvel caro que você comprou por engano!"

Ele deu um passo à frente. "Eu te dei tudo."

"Tudo menos você!" Gritei, e a verdade daquilo me atingiu no peito, me deixando sem ar. "Você me comprou, Rafael. Sua avó apontou, você obedeceu. Eu fui o 'favor' que deu certo. A empregadinha que salvou a velha Lyn e virou a incubadora perfeita para o seu herdeiro."

Ele fechou os punhos. A cicatriz discreta em sua mão direita ficou branca sob a pressão. "Pare com isso."

"Por quê? É a verdade. Você nunca me quis. Só precisava de alguém… moldável. Alguém que não viesse com bagagem, com família, com exigências. Alguém que fosse grata." O riso que saiu de mim foi amargo. "E eu fui. Deus, como eu fui grata. Até perceber que gratidão não enche a cama à noite. Não aquece o lado vazio."

Ele cruzou a distância entre nós em dois passos largos. Suas mãos fecharam meus braços, a pressão quase dolorosa. "Você acha que ele te vê?" Sua voz era um rugido abafado, quente contra meu rosto. "Você acha que esse garoto de apartamento minúsculo e sonhos pequenos sabe o que é ter uma mulher como você?"

Eu me debati, mas ele era sólido como granito. "Ele sabe mais do que você jamais…"

Meu celular, no bolso do meu vestido, começou a vibrar. A melodia genérica, tão comum, soou como um alarme na sala silenciosa.

Os olhos de Rafael escureceram com um entendimento instantâneo e perverso. "É ele."

"Não é." Mentira óbvia, patética.

Ele soltou um braço e enfiou a mão no meu bolso, seus dedos raspando minha coxa através do tecido fino. Arrancou o celular. A tela iluminou seu rosto duro com o nome: DANTE.

"Atenda." Ele cuspiu a palavra.

"Não."

"Atenda. Ou eu conto para ele, agora, em detalhes, o que a sua esposa faz quando a gratidão acaba." Sua mão livre agarrou a cintura do meu vestido. Um puxão seco, e o tecido barato se rasgou do ombro até o seio, expondo o sutiã de algodão simples. O ar frio do escritório bateu em minha pele.

O telefone ainda vibrava, insistente.

Ele colocou o aparelho na minha mão trêmula. "Atenda. E disfarce."

Com um último olhar de ódio e desespero, eu deslizei o dedo na tela e levei o telefone ao ouvido. "Alô?" Minha voz tentou ser leve, normal.

"Bela, tudo bem? Você sumiu depois do almoço." A voz de Dante era quente, preocupada.

"Tudo… tudo bem." A frase se quebrou quando Rafael me virou de costas para ele, pressionando minha frente contra a borda fria da mesa de mogno. Seu corpo pesado encostou nas minhas costas. "Só… tive uma reunião. Inesperada."

Ele deslizou a mão por dentro do rasgo do meu vestido, seus dedos ásperos encontrando a curva do meu seio sobre o algodão. Eu engoli um gemido.

"Reunião? Agora? Você parece… estranha." Dante disse.

Rafael puxou o sutiã para baixo, libertando meu peito. A palma de sua mão cobriu a carne, espremeu. Um choque de calor percorreu meu corpo inteiro, traiçoeiro e intenso.

"É… é o ar condicionado. Tá muito frio aqui." Eu pressionei os lábios para conter um som. Sua outra mão subiu minha coxa, pegando o tecido do meu vestido e da minha calcinha e arrastando tudo para cima de uma vez. O ar gelado tocou minha nudez exposta.

Ouvi o tinir de um cinto sendo aberto. A fivela de metal batendo na madeira.

"Bela? Você tá aí?" A voz de Dante vinha distante, do outro lado do mundo.

"T-tô. Desculpa." Rafael se posicionou atrás de mim. Eu senti a cabeça dura e quente de seu cock pressionando contra minhas costas, depois deslizando para baixo, entre minhas nádegas. Ele esfregou a ponta na minha entrada, já encontrando-a molhada, traidora. Meu corpo o traía. Meu ódio o traía.

"Queria te ver hoje à noite", disse Dante, inocente, amoroso.

Rafael entrou. Não foi uma penetração, foi uma conquista. Um preenchimento brutal e único que arrancou um suspiro rouco e abafado de meus pulmões. Eu joguei a mão livre sobre minha boca, os dedos enterrando-se em meus próprios lábios. Ele estava enorme, esticando-me, queimando. Meu interior se contraiu em torno dele, uma onda de puro prazer fisiológico que fez meus joelhos vacilarem.

"Bela? Você gemeu?"

"Não, foi… foi o ar condicionado de novo. Faz um barulho esquisito." Minha voz estava tensa, estrangulada. Rafael começou a se mover. Saía quase completamente, uma agonia de vazio, e então entrava de novo, fundo, um impacto que fazia a mesa ranger. Cada embate empurrava meu corpo para a frente, meus seios esmagados contra a superfície gelada da madeira.

Sua mão saiu do meu seio e agarrou meu cabelo, enrolando os cachos em seus punhos e puxando minha cabeça para trás. Seus lábios encontraram meu ouvido. "Fala para ele", ele sussurrou, o hálito quente, enquanto sua cintura batia contra minhas nádegas num ritmo implacável. "Fala que você não pode vê-lo hoje."

"Dante…", eu forcei as palavras, enquanto sentia cada centímetro dele dentro de mim, raspando um ponto profundo que fazia luzes dançarem atrás das minhas pálpebras. "Hoje… não vai dar. Tenho coisa pra fazer."

"Coisa pra fazer", ele repetiu, sua voz um rosnado úmido contra meu pescoço. Cada palavra era pontuada por uma investida mais profunda, que agora atingia um lugar que fazia meus dedos formigarem. "Que coisa, Bela? Me contar."

"Nada", eu gemi, meus quadris tentando, por vontade própria, se moverem contra ele. A vergonha queimava meu rosto, mas meu corpo era uma traição total. Ele estava me abrindo, me moldando, e cada centímetro de resistência estava derretendo em algo quente e derrotado.

"Isso. Aceita." Ele soltou meu cabelo e suas duas mãos agarram meus quadris, os dedos cravando na minha carne, marcando. Ele mudou o ângulo, inclinando-me para baixo, e o som que saiu da minha garganta não foi humano. Era um choro rouco, profundo. Dante estava falando, algo sobre amanhã, mas as palavras eram borrões distantes.

Rafael acelerou, o ritmo perdendo qualquer falso controle. A mesa rangia em protesto, meus seios esfregavam dolorosamente na madeira, e o único som além da nossa respiração ofegante era o som úmido, obsceno, dele entrando e saindo de mim. Eu estava encharcada. Sentia escorrer pelas minhas coxas.

"Desliga", ele ordenou, sua voz áspera com o esforço. "Desliga o telefone, Bela. Agora."

Minha mão, trêmula, agarrou o celular. Meus dedos escorregaram na tela. "Dante, eu… tenho que desligar."

"Tá tudo bem? Você parece…"

"Tudo bem. Amanhã a gente se fala." Desliguei o telefone antes que ele pudesse responder. O silêncio que se seguiu foi dez vezes mais pesado, preenchido apenas pelo som dos nossos corpos. O clique do celular na mesa ecoou como um tiro.

Com a interrupção removida, Rafael parou. Ficou imóvel, enterrado até o fim dentro de mim. A pausa foi uma tortura. Cada músculo interno pulsava em torno dele, sensível e faminto. Ele curvou-se sobre minhas costas, seus lábios encontrando a junção do meu pescoço e ombro.

"Você gosta de ser pega assim, não é?" Ele sussurrou, a língua traçando a linha do meu osso. "De ser forçada a se entregar. De saber que qualquer um poderia ter aberto essa porta."

"Eu te odeio", eu respirei, mas era uma mentira fraca, sem fôlego.

"Mentira." Sua mão deslizou da minha cintura para a frente, seus dedos encontrando meu clitóris inchado e exposto. Um toque leve, quase casual. Todo o meu corpo se contraiu, um arrepio violento me percorrendo. Um gemido longo e quebrado escapou dos meus lábios.

Ele riu, um som baixo e sombrio. "Seu corpo não odeia. Seu corpo sabe de quem é." Ele começou a se mover de novo, lento agora, torturantemente lento, enquanto seus dedos continuavam seu trabalho circular e insistente. A dupla sensação era excruciante. Eu estava sendo preenchida e estimulada, cada nervo em chamas.

Meus joelhos cederam de vez. Ele me segurou pelos quadris, me mantendo no lugar, seu controle absoluto. "Por favor", a palavra saiu sem meu consentimento, um sussurro rouco.

"Por favor, o quê?" Ele parou novamente, retirando seus dedos. A perda foi um golpe.

Eu virei a cabeça, meu rosto pressionado contra a madeira fria da mesa. Meus olhos encontraram os dele no reflexo embaçado do polimento. Eles não eram mais de aço. Eram tempestade, pura escuridão vulcânica. "Não para."

Ele me virou de uma vez, com uma força brutal que me deixou tonta. Minhas costas agora estavam contra a mesa, o vestido amassado em volta da minha cintura, minhas pernas abertas e tremulas. Ele ficou entre elas, olhando para onde nossos corpos estavam conectados, para onde ele ainda estava dentro de mim. A expressão dele era de posse crua.

Ele colocou minhas pernas sobre seus ombros, dobrando-me quase ao meio. A nova profundidade fez meus olhos arregalarem. Ele agarrou minhas mãos, prendendo-as contra a mesa acima da minha cabeça. Suas palmas eram grandes, quentes, implacáveis.

"Olha pra mim", ele ordenou. E eu obedeci. Olhei direto para aquela tempestade enquanto ele começava a se mover. Sem piedade. Sem restrição. Cada investida era um claim, uma demarcação de território. O ar saía dos meus pulmões em golpes curtos.

O calor começou a se acumular na base da minha espinha, uma pressão insuportável e familiar. Eu tentei lutar contra ela, me agarrando ao ódio, à humilhação. Mas era inútil. Ele estava em todo lugar. Em meu corpo, no ar que eu respirava, no eco do meu próprio gemido.

"Vai", ele rosnou, seus quadris batendo contra os meus. "Vai, Bela. Me mostra."

E eu fui. O orgasmo me atingiu não como uma onda, mas como um desmoronamento. Um tremor violento que começou no meu centro e explodiu para cada extremidade. Meu corpo arqueou, preso entre a mesa e ele, e um grito abafado rasgou minha garganta. Por dentro, eu me contraía em torno dele, uma série de espasmos intermináveis que sugaram um rugido gutural dele.

Ele não parou. Continuou me fodendo através das convulsões, prolongando o prazer até a beira da dor. Só quando meu corpo ficou flácido, exausto, é que ele acelerou para seu próprio fim. Seus dedos apertaram os meus punhos, seus músculos ficaram tensos como cordas.

Seu gozo inundou-me, quente e profundo, um fluxo contínuo que parecia marcar-me por dentro. Ele enterrou o rosto no meu pescoço, seus dentes cerrados contra meu ombro, abafando um rugido que vibrou através dos meus ossos. Por um instante, infinito e frágil, todo o seu peso caiu sobre mim, e fiquei presa entre a madeira da mesa e o calor úmido do seu corpo. Eu estava preenchida por ele, de uma maneira que ia além do físico, uma invasão total.

Ele saiu de mim de repente. A perda foi um choque gelado. O ar do escritório antigo bateu na minha pele molhada, arrepios subindo pelas minhas coxas. Ele se afastou, virando as costas enquanto ajustava a calça com movimentos precisos, mecânicos. A conexão brutal foi desligada como um interruptor. Fiquei deitada na mesa, tremendo, tentando juntar os pedaços do meu próprio corpo, do meu próprio pensamento.

“Vista-se.” A voz dele era plana, metálica. O CEO tinha retornado. Rafael Silva, de costas para mim, olhando pela janela escura como se a paisagem noturna fosse um relatório a ser analisado.

Deslizei da mesa, minhas pernas quase não me sustentando. O vestido desceu, um tecido amassado e manchado contra minha pele. Não havia toalha, não havia gentileza. Só o cheiro dele em mim, e o meu próprio, impregnando o ar. Reuni minha bolsa e meus sapatos com dedos que pareciam de borracha. Quando me virei, ele já estava atrás da mesa dele, sentado, folheando um documento sob a luz do abajur de latão. Como se eu não estivesse mais lá.

Sai sem dizer uma palavra. A porta do escritório da matriarca fechou-se com um clique macio atrás de mim, um som final. O corredor estava escuro e silencioso. Apenas a luz de emergência pintava o chão de um vermelho fantasmagórico. Caminhei até o elevador, meus passos ecoando no mármore frio, sentindo o resquício dele escorrer pelas minhas coxas. Uma prova viva, íntima e degradante, do favor que nunca deveria ter feito.

A luz da manhã entrou pelo meu quarto como uma faca. A dor veio junto com a consciência – uma dor profunda nos músculos, uma lembrança viva em cada movimento. O cheiro dele ainda estava na minha pele, mesmo depois do banho esfregado até ficar vermelha. Vestia um uniforme limpo, as mãos trêmulas tentando abotoar a blusa.

Ele estava na sala, impecável em um terno cinza-ardósia. Cheirava a sabonete caro e café amargo. Não havia um fio de cabelo fora do lugar, nenhum sinal no rosto impassível da fera que me prendeu contra a mesa de sua avó horas antes. Ele tomou um gole de café, os olhos cinzas escaneando-me enquanto eu tentava amarrar o cabelo.

“Termina com ele hoje.” A ordem caiu no silêncio da sala mínima, clara e sem emoção, como se estivesse pedindo para eu enviar um e-mail.

Meus dedos congelaram no elástico de cabelo. “O quê?”

“Dante. Termina. Hoje.” Ele não ergueu a voz. Era pior.

Uma risada seca, quase histérica, escapou dos meus lábios. “Você está louco.”

Ele colocou a xícara de café na mesa com um clique preciso. “Não é uma sugestão, Isabela. É uma condição.”

“Uma condição pra quê? Pra você continuar me violentando quando bem entender?” As palavras saíram em um sussurro áspero, carregadas de uma raiva que eu nem sabia que ainda tinha espaço para guardar.

Ele ignorou o comentário, os olhos fixos em mim. “Você agora é minha. Em todos os sentidos que importam para a minha avó, e consequentemente, para mim. Nada dessa farsa de namorado pobretão pode continuar.”

“O Dante não é uma farsa.” A defesa saiu automática, fervorosa. “Ele me ama. Ele me trata bem. Ele…”

“Ele te ama muito.” Rafael completou a frase com um tom carregado de desdém, um sorriso frio tocando os lábios. “Que coisa fofa. E completamente irrelevante.”

“Não é irrelevante pra mim!” Gritei, os punhos cerrados ao lado do corpo. “Você não manda na minha vida, Rafael. Naquela sala, você pode ter… pode ter pegado o que quis. Mas o resto ainda é meu.”

“Você não manda na minha vida, Rafael. Naquela sala, você pode ter… pode ter pegado o que quis. Mas o resto ainda é meu.”

A expressão dele não mudou. Os olhos de aço apenas estreitaram um pouco, como se eu fosse um problema de logística que precisava de uma solução definitiva. Ele abriu a gaveta superior direita da escrivaninha, tirou um envelope marrom grosso e o deslizou pela superfície polida até que parou diante dos meus olhos.

“Abra.”

Meus dedos tremiam ao raspar o lacre. De dentro, deslizaram para fora um documento sobre mandar nosso filho para outro país Cabelos pretos como ébano, olhos claros. Meu filho. Miguel

O ar saiu dos meus pulmões como se eu tivesse levado um soco. “Onde… como você…”

“A Suíça tem escolas excelentes,” ele disse, a voz plana, quase conversacional. “Internatos. Discretos. Onde uma criança pode crescer longe de… influências indesejadas. Longe de mães instáveis que se envolvem com namorados pobretões e aceitam favores perigosos.”

“Você não vai tocar no meu filho.” A frase saiu um sopro rouco, carregado de um terror tão profundo que me fez tremer por dentro.

“Vou,” ele corrigiu, simplesmente. “O avião está escalado. A documentação, preparada. Tudo em meu nome, claro. A avó Lyn acha encantador que eu tenha um… herdeiro inesperado. Ela só não sabe que a mãe dele é uma funcionária teimosa.” Ele inclinou-se para frente, os cotovelos sobre a mesa, os dedos entrelaçados. “Você termina com o Dante hoje. Você se torna o que a minha avó acredita que você é: minha noiva dedicada, a mãe do meu herdeiro. Ou Miguel embarca amanhã cedo para um lugar onde você nunca mais vai vê-lo crescer. Nem ouvir a voz dele. Nunca mais.”

O mundo desabou. A sala escura, com cheiro de poeira e couro, ficou ainda menor, as paredes se fechando. Eu vi a foto do Miguel seu sorriso largo com um dente faltando. Vi a caligrafia limpa no envelope, o selo de uma agência de viagens de luxo. Era real. Tudo era horrivelmente real.

“Seu monstro,” sapecou, mas as palavras não tinham força. Eram apenas som.

“Frequentemente,” ele concordou, levantando-se. Ele contornou a escrivaninha com uma calma que era mais aterrorizante que qualquer violência. Parou diante de mim. O calor do corpo dele, o cheio de sabonete caro e poder, invadiu meu espaço. “A decisão é sua, Isabela. Mas nós dois sabemos que você já tomou.”

Ele estendeu a mão, não para me tocar, mas para pegar as fotos. Seus dedos roçaram os meus. Um choque quente e repugnante subiu pelo meu braço.

“Por que?” a palavra escapou, um suspiro quebrado. “Por que fazer isso? Você me odeia tanto assim?”

Ele guardou as fotos no envelope com movimentos meticulosos, sem me olhar. “O ódio é um sentimento muito forte para ser desperdiçado com você. Isso é… administração de ativos. A minha avó te escolheu. Você tem um filho que carrega meu sangue. É conveniente. É limpo.” Finalmente, seus olhos encontraram os meus. “E você está aqui.”

“Eu não quero estar!”

“Isso,” ele disse, e pela primeira vez, uma centelha de algo que não era frieza acendeu no fundo do olhar cinza. “Isso é o que torna tolerável.”

Ele fechou o último botão do paletó impecável. “Você vai ligar para o Dante. Agora. Na minha frente. Vai terminar. E depois, você vai jantar comigo e com a vovó Lyn. Vai sorrir. Vá falar sobre como está feliz com o nosso noivado relâmpago.”

A náusea subiu pela minha garganta. Eu engoli seco, o gosto amargo do desespero na língua. Meu celular pesava como um tijolo no bolso do meu uniforme.

Ele leu a hesitação. “ Miguel e Isabela. Pense no Miguel dormindo agora, no seu super-herói de pelúcia. Amanhã, ele pode estar a seis mil metros de altura, e você nunca vai saber com quem ele divide o quarto, se chora à noite, se chamou por você.”

Chorei. Silenciosamente. As lágrimas escorreram quentes e salgadas pelo meu rosto, sem meu consentimento. Era a última coisa que eu queria dar a ele. Rafael observou o trajeto de uma lágrima com um interesse clínico, como se estudasse um fenômeno raro.

Tirei o celular. As teclas borraram sob meus olhos. Encontrei o contato de Dante. Coração. Emoji sorridente. Apertei a tecla de discar. O som do telefone tocando ecoou na sala silenciosa, um tamborilar obsceno.

“Alô, amor?” a voz do Dante, quente e familiar, preencheu o vão entre Rafael e eu. Doía.

Abri a boca. Nada saiu.

Rafael deu um passo à frente, tão perto que o peito dele quase encostou no meu. Seu olhar era uma ordem física.

“Dante,” forcei, a voz estrangulada. “Preciso falar com você.”

“Bela? Tá tudo bem? Você parece estranha.”

“Não. Não tá tudo bem.” Inspirei fundo, sentindo o cheio de Rafael invadindo cada partícula de ar. “Não podemos mais nos ver. É melhor… é melhor a gente terminar.”

Silêncio do outro lado. Um silêncio que doía mais que qualquer grito. “O quê? Bela, pelo amor de Deus, o que aconteceu? Foi alguma coisa que eu fiz? Fala comigo!”

“Terminar?” A voz do Dante quebrou. “Bela, você não pode fazer isso. Não por telefone. Por favor, deixa eu te ver. Onde você tá? Eu vou aí.”

Rafael estendeu a mão. Não para o telefone. Para o meu rosto. Seu polegar passou por minha bochecha molhada, coletando uma lágrima. O toque foi seco, impessoal, mas a pele dele estava quente. Ele levou o polegar à boca, os olhos fixos nos meus, e lambeu a lágrima salgada. Meu estômago deu um nó.

“Diga a ele que não há mais nada para discutir,” sussurrou Rafael, sua respiração batendo contra meu lábio trêmulo.

“Eu… não posso te ver, Dante. É sério.” A voz saiu como um fio de sopro.

“É ele, não é? Tá com alguém aí. Eu ouvi. Quem é? Fala!” A voz do Dante explodiu no viva-voz, cheia de um desespero que me perfurou.

Rafael sorriu. Um sorriso lento e cruel. Ele se inclinou, seus lábios a um centímetro do meu ouvido. “Desliga.”

Eu balancei a cabeça, negando. Não dava. Não assim.

Ele apertou meu queixo com a mão livre, forçando meu olhar para o dele. “Desliga. O. Telefone.” Cada palavra era uma faca gelada.

Meu dedo, tremendo incontrolavelmente, encontrou a tela. Apertei o botão de finalizar chamada. O silêncio que se seguiu foi absoluto, ensurdecedor. Pior que qualquer grito.

Ele soltou meu queixo. Pegou o celular da minha mão mole. Olhou para a tela escura, então deslizou o dedo, bloqueando o número. O gesto foi tão fácil, tão rotineiro. Ele deixou o aparelho deslizar de seus dedos. Caiu no carpete espesso sem um som.

“Pronto,” ele disse, como se tivesse resolvido um incômodo menor.

Algo dentro de mim estalou. A dor, a humilhação, a impotência se fundiram em um raio puro de fúria. “Seu filho da puta,” eu cuspi, os ombros subindo e descendo. “Seu merda arrogante. Quem você pensa que é?”

Rafael não recuou. Seus olhos cinzentos brilharam com um interesse novo. “Finalmente,” ele murmurou. “Um pouco de fogo. Achei que só sabia chorar.”

Eu levantei a mão para esbofeteá-lo. Ele interceptou meu pulso no ar, com uma facilidade que me deixou atordoada. Sua mão era enorme, forte, os dedos envolvendo meu pulso por completo.

“Não,” ele disse, suave. Puxou meu braço, me puxando contra ele. Meu corpo colidiu com o seu, duro, imóvel. Eu senti a largura do peito dele, a tensão nos músculos do abdômen. “Você não bate em mim, Isabela. Você me obedece.”

“Vai pro inferno,” eu respirei, tentando me soltar. Era como tentar escapar de uma parede de concreto.

Ele soltou meu pulso. Ambas as suas mãos desceram para a cintura do meu vestido corporativo simples, de poliéster barato. Encontraram o zíper nas costas. O som do metal deslizando, dente por dente, rasgou o silêncio do escritório.

Eu congelei. “Não faça isso.”

“Já está feito,” ele respondeu. O zíper chegou ao fim. As laterais do vestido se abriram. O ar frio do ar-condicionado tocou minha pele exposta, nas costas, nos flancos. Eu usei um sutiã simples, bege. A calcinha combinava. Roupa de baixo funcional. De pobre.

Ele não puxou o vestido para baixo. Deixou que ele ficasse pendurado nos meus ombros, aberto nas costas. Suas mãos voltaram à minha frente, subindo devagar pelas minhas coxas, por cima do tecido.

“Você é minha,” ele disse, a voz um rosnado baixo na concha do meu ouvido. “Desde o momento em que você entrou naquela sala com aquele bandeijão patético. Minha avó viu. Eu vi. Você pertence a essa família agora. A mim.”

“Isso é sequestro,” eu forcei as palavras para fora. “Loucura.”

“É um contrato. Você salvou a vida dela. A vida dela vale mais que qualquer coisa que você já sonhou. O pagamento é você.” Uma de suas mãos subiu, encontrou a curva do meu seio por cima do sutiã. Ele apertou, não com carinho, com posse. Meu mamilo endureceu instantaneamente, uma traição do meu corpo que me fez arfar. “Seu corpo já entende. Vai aprender o resto.”

"Por que você não me ama?" As palavras saíram antes que eu pudesse engoli-las, um sussurro rouco contra o peito dele.

Rafael parou. A mão que estava sobre meu seio imobilizou. Ele afastou o rosto o suficiente para me encarar. Nos seus olhos de aço, algo cintilou, desconhecido, ofuscado. "Eu não sei demonstrar isso," ele disse, a voz mais baixa, quase áspera. Não era uma admissão suave. Era um fato arrancado, como se ele próprio se surpreendesse com a verdade crua daquilo.

Seu rosto mudou. A rigidez de CEO, a máscara de desdém, rachou por um segundo. Vi apenas um homem, ali, na penumbra do escritório cheio de fantasmas da família dele. Cansado. E algo mais, algo que parecia solidão. Foi só um instante. Depois, o muro começou a se reconstruir.

Mas então seus dedos desceram. Abandonaram meu seio, contornaram minha cintura, escorregaram para dentro da abertura do meu vestido. A palma da sua mão, quente e áspera, achatou-se contra minha barriga. Deslizou para baixo, além da linha da minha calcinha barata. Seus dedos encontraram meu pêlo, o calor, a umidade que eu não conseguia mais negar.

Eu gemeu. Um som baixo, gutural, que ecoou na sala silenciosa. Era de vergonha. Era de alívio. Meus olhos se fecharam.

"Você é a primeira mulher," ele sussurrou, os lábios tocando minha têmpora enquanto seus dedos exploravam, encontrando meu clitóris inchado com uma precisão que me fez estremecer. "A primeira que me faz sentir... algo diferente. Algo que não é transação. Não é cálculo." Ele pressionou o dedo médio contra o ponto mais sensível, um círculo lento e torturante. "É uma perturbação."

Eu me agarrei aos braços dele, minhas unhas cravando no tecido fino da camisa. Meu corpo se arqueou, buscando a pressão da sua mão. A traição era completa, total. "Então faz," eu respirei, ofegante. "Faz com que eu me apaixone por você."

Ele emitiu um som baixo, entre um riso e um rosnado. "Isso é uma ordem, Isabela?"

"É um pedido," eu disse, abrindo os olhos para encarar os dele. "De uma prisioneira."

Algo selvagem acendeu no olhar dele. Os dedos que estavam circulando meu clitóris pararam. Subiram, encontraram minha entrada. Dois dedos pressionaram, testando. Eu estava escancarada, molhada, pronta. Ele empurrou.

Eu gritei. Não de dor. Da invasão súbita, do preenchimento, da sensação brutalmente íntima de tê-lo dentro de mim, mesmo que fossem apenas os dedos. Eles eram longos, grossos. Preencheram um vazio que eu nem sabia que carregava. Meu vestido balançou nos ombros.

Ele observou meu rosto enquanto movia os dedos dentro de mim, uma entrada e saída lenta, profunda. A cada enfiada, eu sentia os nós dos seus dedos, a textura da pele. O som era úmido, obsceno, amplificado pelo silêncio sepulcral do escritório. "Você geme por mim," ele constatou, a voz embargada. "Seu corpo é honesto. Vamos ver se o seu coração aprende."

Com a mão livre, ele finalmente puxou meu vestido para baixo. O tecido deslizou, um redemoinho em meus pés. Fiquei de pé diante dele apenas de sutiã e calcinha, na luz âmbar da lâmpada de mesa. O ar frio tocou minha pele nua, arrepios percorrendo meus braços, meus seios. Ele devorou-me com os olhos, uma avaliação lenta, possessiva, que me fez sentir mais exposta do que o nu.

"Deita," ele ordenou, retirando os dedos de mim com um pop úmido que me fez estremecer de vazio.

"Onde?"

Ele inclinou a cabeça em direção à enorme mesa de mogno, a peça central do escritório da avó. A superfície estava limpa, exceto por uma velha máquina de escrever e um porta-retratos de prata. "Lá."

Meu estômago embrulhou. Era profanação. Era afirmação. Caminhei, minhas pernas trêmulas, até a mesa. A madeira era gelada contra a pele das minhas coxas quando me sentei na borda. Ele se aproximou, ficando entre minhas pernas abertas. Suas mãos seguraram a parte interna das minhas coxas, afastando-as mais.

Ele desceu. Não para me beijar. Seus lábios encontraram meu pescoço, depois a clavícula. Sua boca era quente, insistentemente quente. Ele mordiscou a alça do meu sutiã, puxou-a para baixo com os dentes. Meu seio caiu livre, o mamilo endurecido e dolorido de necessidade. Ele o levou à boca.

Ele sugou meu mamilo para dentro da boca, a língua circulando a ponta dura, e um gemido escapou da minha garganta, alto e sem vergonha. Minhas mãos enterraram-se em seus cabelos, segurando-o lá, temendo que ele parasse. A dor-doce irradiava do meu peito direto para o meu sexo, que pulsava vazio e molhado.

"Assim," ele rosnou contra minha pele, a vibração fazendo-me estremecer. "Gosta quando eu tomo o que é meu."

Era uma afirmação, não uma pergunta. Seus dedos encontraram-me novamente, deslizando pela umidade que escorria por minhas coxas. Três dedos, desta vez. A pressão na entrada foi avassaladora. Eu arquei as costas contra a mesa fria, o porta-retratos de prata caindo de lado com um baque surdo.

Ele empurrou os três dedos dentro de mim num único movimento profundo, e meu mundo estreitou-se ao estiramento, ao preenchimento, à sensação de estar sendo aberta. "Rafa," eu gemi, seu nome um pedido, uma rendição.

Ele começou a mover a mão, uma bomba lenta e torturosa, enquanto sua boca continuava a trabalhar meu seio. O som era cru, encharcado, e eu podia sentir cada dobra de sua pele dentro de mim. Meus quadris começaram a se mover por vontade própria, encontrando seu ritmo, buscando mais.

"Por que você tinha que arranjar um amante?" A pergunta saiu baixa, sussurrada contra o vale entre meus seios, enquanto seus dedos não cessavam seu trabalho. "Pq me fez fazer aqui, ."

Eu estava tão perdida na sensação que as palavras levaram um momento para fazerem sentido. Você " você também tinha uma amante” seu filho da puta.

Ele ergueu a cabeça. Seus olhos cinza, agora escuros como tempestade, fixaram-se nos meus. Seus dedos pararam, enterrados até o limte.” ahn então a culpa é minha??. É isso?"

"É... é isso," eu ofeguei, tentando mover-me contra a mão imóvel dele, buscando o atrito que ele negava.

Ele soltou um som baixo, quase um riso amargo. "Mentira." Seus dedos retomaram o movimento, mais rápido agora, o dedão encontrando meu clitóris num círculo preciso. "Você arranjou ele só para se aliviar e me deixar louca como estou agora,sabia que eu soubesse . Você ia me ter, porque desde aquele dia , na noite de núpcias,depois do casamento, depois que eu vi você nua e te come tão gostoso…… você não consegue mais me tirar da cabeça."

O orgasmo começou a se acumular, uma pressão elétrica na base da minha espinha. "Não," eu protestei, mas era fraco, quebrado. Meus dedos apertaram seus cabelos.

"É verdade," ele insistiu, sua voz era áspera, mas havia uma nota estranha nela, quase uma angústia. "E o pior, *meu bem*? É que eu também não consigo te tirar da minha."

A confissão, vinda naquele momento, naquele tom, foi mais devastadora do que qualquer toque. Meus olhos arregalaram. Ele fitou-me, e pela primeira vez, a máscara de gelo rachou completamente. Havia algo lá, cru e vulnerável, uma fúria que não era apenas desejo, mas algo muito mais perigoso.

"Rafa..."

"Cala a boca," ele rosnou, mas era um pedido desesperado. Sua boca capturou a minha, o beijo era brutal, possessivo, mas também era uma admissão. Seus dedos aceleraram, e eu me desfiz contra sua mão, meu orgasmo me atingindo como um trem, abalando a mesa sob nós, um grito abafado por seus lábios.

Enquando eu ainda tremia, ele puxou os dedos para fora e desabotoou suas calças. Seu cock saltou para fora, grosso, veiado, a cabeça já escura e úmida de necessidade. Ele não pediu permissão. Alinhou-se com minha entrada, que ainda pulsava e se contraía do climax, e empurrou.

A entrada foi um fogo lento, uma expansão que me fez gritar novamente. Ele estava maior, mais denso do que qualquer coisa que eu já havia sentido. Ele afundou até o fim, suas coxas batendo contra minhas nádegas na madeira da mesa, e ficou imóvel, enterrado dentro de mim, a respiração ofegante.

"Caralho," ele arfou, a testa encostada na minha. "Você me leva à loucura."

Seus olhos estavam fechados. A dor, a confusão, o desejo bruto—tudo estava escrito em seu rosto. Era a expressão de um homem que não queria sentir o que sentia. Que lutava contra isso com unhas e dentes, mas que naquele momento, estava perdendo a batalha.

Ele começou a se mover. Devagar no início, cada enfiada uma promessa e uma punição. A madeira rangia sob nosso peso. Eu envolvi minhas pernas em torno de sua cintura, trazendo-o mais fundo, e ele gemeu, um som profundo e gutural que parecia vir de um lugar muito antigo.

"Diga," ele ordenou, suas mãos agarrando meus quadris, suas unhas marcando minha pele. "Diga por que você realmente não me ama."

Eu balancei a cabeça, perdida no ritmo, na sensação de tê-lo tão profundamente dentro de mim.

"Diga!" Sua voz quebrou. Ele parou novamente, totalmente dentro, imóvel. A tensão em seu corpo era de aço sob tensão.

"Porque você me odeia primeiro," sussurrei, as palavras escapando entre respirações ofegantes. Meus dedos enterraram-se em seus cabelos, puxando. "Porque você me olha e vê uma intrusa. Uma mulher que sua avó forçou a entrar na sua vida. Você nunca me quis, Rafa. Você só me tolera."

Ele ficou imóvel dentro de mim, seu cock pulsando profundamente no meu centro. Seus olhos cinzentos, tão próximos, se estreitaram, mas não com raiva. Com algo parecido com dor.

"É mentira," ele rosnou, mas era fraco. Ele começou a se mover novamente, uma investida lenta e deliberada que me fez arquejar. "Você acha que eu toleraria isso? Você acha que eu ficaria assim por tolerância?"

Cada palavra era pontuada por uma enfiada profunda. A mesa rangia, um som obsceno no silêncio pesado do escritório. Eu me contorci, meus quadris encontrando o ritmo dele, nossa pele úmida se colando.

"Você me tem nas suas reuniões. Na sua cama. Mas nunca aqui," disse eu, pressionando uma mão trêmula contra seu peito, sobre o coração. "Você me deu um filho. Me deu seu nome. Mas nunca me deu um 'bom dia' que não soasse como um despacho."

Ele parou novamente, sua respiração um furacão. Suas mãos, que ainda seguravam meus quadris, suavizaram o toque, seus polegares fazendo círculos na minha pele marcada.

"Bela," ele disse, e meu nome em sua boca nunca soara tão carregado. Não era 'Isabela', formal e distante. Era o apelido que só Lyn usava. "Você acha que é fácil? Ver você todos os dias? Saber que você está aqui porque minha avó decidiu, não porque eu... porque nós..."

A frase morreu. Ele enterrou o rosto no meu pescoço, sua respiração quente contra minha pele. Seus quadris recuaram e então ele se enterrou em mim com uma força que me fez gritar, um som longo e gutural que ecoou nas estantes de livros.

"Fala," ele ordenou, sua voz abafada na curva do meu ombro. "Fala o que você sente. De verdade."

As lágrimas queimavam atrás das minhas pálpebras. A combinação da fricção brutal, do preenchimento absoluto, e da rachadura em sua armadura era quase insuportável. "Eu sinto raiva," gemi. "Raiva de querer tanto alguém que me trata como um móvel caro. Eu sinto... saudade. De algo que nunca tivemos."

Ele levantou a cabeça, seus olhos estavam brilhantes. "Eu te desejo." A declaração era crua, simples. "Todo dia. Desde aquele maldito dia em que você entrou aqui com aquele vestido simples, cheirando a café e ansiedade, e salvou a mulher mais importante da minha vida. Isso me enlouquece. Me enfurece."

Suas mãos subiram, enquadraram meu rosto. O movimento foi estranhamente terno em meio à violência do nosso acoplamento. "Eu não sei fazer diferente, Bela."

Era a maior admissão que eu já ouvira dele. Meu coração deu um salto desordenado. Inclinei a cabeça e capturei seus lábios num beijo. Desta vez, não foi uma batalha. Foi um desmoronamento. Um encontro de línguas que era um gosto de sal, de café e de algo amargo e doce ao mesmo tempo.

Nosso ritmo mudou. Não era mais uma punição, nem uma prova. Era uma busca. Ele me virou de lado na mesa, meu dorso agora contra o mogno frio, minhas pernas ainda envoltas em sua cintura. O novo ângulo fez ele atingir um ponto mais profundo, e um gemido longo e tremulo saiu da minha garganta.

"Aí," eu arquejei. "Rafa, aí..."

Ele segurou uma das minhas pernas, dobrando-a mais para perto do meu corpo, abrindo-me completamente para ele. Seus olhos devoravam o lugar onde nossos corpos se uniam, observando seu cock desaparecendo dentro de mim, ensopado do meu próprio desejo. "Olha," ele ordenou, voz rouca. "Olha como você me aceita."

E eu olhei. A visão era obscena, íntima, e tão excitante que uma nova onda de calor me inundou. Eu estava inchada, aberta, envolvendo-o em um aperto úmido. Ele estava brilhante comigo. Meu estômago se contraiu.

"Eu não te odeio," ele sussurrou, seus olhos encontrando os meus. "Eu te temo. Você chegou e virou meu mundo de cabeça para baixo. Sem sua permissão. Sem meu consentimento." Ele afundou mais fundo, e ambos gememos. "E agora eu não consigo imaginar esse mundo sem você nele. Isso é aterrorizante."

As palavras flutuaram entre nós, misturando-se com o som úmido da nossa união. Eu puxei seu rosto para o meu, beijando-o com uma urgência desesperada. Meus dedos traçaram a cicatriz em sua mão, que agora estava plantada ao lado da minha cabeça.

O orgasmo começou a se construir novamente, uma pressão lenta e implacável na base da minha espinha. "Eu vou..."

"Eu sei," ele interrompeu, seu próprio ritmo ficando descontrolado, errático. "Deixa vir. Quero sentir você apertar em volta de mim. De novo."

Eu me soltei primeiro, um tremor longo e profundo que parecia arrancar minha alma pelo lugar onde estávamos unidos. Meu canal apertou em torno dele, pulsante, e um som entre um choro e um grito ficou preso na minha garganta.

Rafael segurou firme, seus músculos ficando de pedra, e então ele gemeu, um som gutural e rouco que era a coisa mais verdadeira que eu já ouvira dele. Senti o jorro quente dele dentro de mim, cada pulsação correspondendo às contrações finais do meu próprio corpo. O mundo desapareceu. Existiu só o calor úmido, o cheiro do nosso sexo no ar, o peso dele sobre mim.

Ele desabou, mas não totalmente, seus braços prendendo o peso do corpo para não me esmagar contra a mesa. A respiração dele era um furacão no meu ouvido. A minha saía em golpes curtos. A sensação de plenitude, de estar completamente preenchida por ele, era avassaladora. E ainda tão boa.

Passaram-se segundos que poderiam ter sido horas. Aos poucos, a realidade voltou: a madeira fria nas minhas costas, a luz amarelada do candeeiro, o ar parado do escritório velho. E a cicatriz na mão dele, tão perto dos meus olhos.

Ele se moveu primeiro, retirando-se de mim com um cuidado que me fez prender a respiraça. A perda foi física, um frio súbito onde antes havia calor. Um fio de sêmen e meu próprio desejo escorreu pela minha coxa. A visão era indecente. Eu me senti indecente. E completamente possuída.

Rafael afastou-se alguns passos, as calças ainda no tornozelo. Ele se virou, buscando fôlego, as mãos apoiadas na cintura, os ombros subindo e descendo. Suas costas eram uma paisagem de músculos tensos e pele suada. Ele não me olhava.

Eu me apoiei nos cotovelos, minhas pernas tremiam tanto que duvidei conseguir ficar em pé. Meu vestido – aquele uniforme corporativo barato – estava amarrotado na minha cintura, encharcado entre minhas pernas. Eu me senti nua de um jeito que ir muito pelada nunca conseguiria.

"Isso não vai mudar nada," a voz dele veio baixa, mas cortante como vidro. Ainda sem me encarar.

O coração, que há instantes batia acelerado de êxtase, deu uma pontada fria. "Eu sei."

"Minha avó te quer aqui. É a única razão pela qual você ainda respira neste apartamento." Ele finalmente se virou. Seu rosto estava fechado de novo, a máscara de gelo reassentada, mas seus olhos… seus olhos ainda estavam turbulentos. "Isso aqui," ele fez um gesto brusco entre nós, "foi um descuido. Um acidente."

Eu deslizei da mesa, minhas pernas quase cedendo. Apertei as coxas, sentindo o fluido quente escorrer. A humilhação começou a queimar atrás dos meus olhos, mas eu ergui o queixo. "Um acidente que aconteceu duas vezes em uma hora."

Ele encarou, e por um segundo achei que viria até mim de novo, para provar seu ponto ou para refutar o meu. Em vez disso, ele puxou as calças e as fechou com movimentos bruscos. "Arrume-se. Você tem uma função a cumprir. Jantar com a matriarca em meia hora."

Função. A palavra doía. Eu era a esposa por contrato, a funcionária da avó, a amante acidental. Nada era meu. Nem mesmo o orgasmo que ainda ecoava no meu corpo.

Virei as costas para ele, puxando o vestido para baixo com mãos trêmulas. O tecido úmido colou na minha pele. Eu sabia que ele estava me observando, sentia o peso do olhar dele nas minhas costas, na curva do meu traseiro ainda exposto por um segundo a mais.

"Você vai encontrar William Santos amanhã," ele disse, de repente, a voz neutra, profissional.

Eu congelei. "Quem?"

"Um consultor. De imagem. A avó acha que seu… visual… precisa de refinamento. Você representa a família Silva agora." O tom era de desdém. "Não pode andar por aí parecendo uma estagiária assustada."*************

Eu não fui. O endereço do tal consultor de imagem, anotado em um cartão de visita preto e prateado, foi parar no fundo do lixo de uma padaria no caminho para o metrô. Em vez de refinar meu visual, peguei a linha amarela até a estação mais próxima do nosso bairro, com o vestido ainda levemente úmido entre as pernas, um lembrete físico do "acidente" de Rafael. Cada balanço do vagão me fazia sentir o eco do toque dele, uma humilhação quente e pegajosa.

O apartamento cheirava a Luxo e perfume caro e a comida da empregada. Tudo limpo e sem bagunça sagrada. "Mãe!" A voz dele, ainda aguda de criança, foi um bálsamo antes mesmo de eu ver o rosto. Miguel veio correndo do corredor, descalço, com uma meia verde e outra azul, e se atirou contra minhas pernas.

Meu coração, que estava compactado e gelado desde o escritório, se expandiu de uma vez. Agachei, enterrando o rosto no cabelo cacheadinho dele que cheirava a shampoo infantil e suor de brincadeira. "Meu amor. Como foi o dia com a tia Lú?"

"A gente fez torre mais alta que você!" Ele puxou minha mão, arrastando-me para a sala, onde um castelo de blocos coloridos de fato ameaçava o abajur. O mundo de Rafael Silva – de escritórios silenciosos, humilhações calculadas e contratos sem coração – dissolveu ali, entre os blocos de plástico e o ursinho de pelúcia caído no sofá.

Enquanto a empregada fazia o jantar, Gabriel falou sem parar sobre a torre, o amigo telmo o desenho do dragão. Suas palavras eram simples, diretas, despretensiosas. Nada da duplicidade cortante de Rafael. Ele subiu na cadeia na mesa para jantarmos e que seu pai nunca chega no horário do jantar "Tá gostoso, mãe."

Seu olhar de absoluta confiança me atravessou. Aquela criança, com meus olhos amendoados e a boca séria que não era minha, dependia de mim. E eu dependia do salário de estagiária para tratar da minha aparência apesar de ser a esposa dele é nunca me dava nada nem dinheiro nem presentes , das migalhas que a avó dele agora transformava em um salário de diretora. A proposta estava lá, na bolsa. Um aumento de cinco vezes. Dinheiro para ratar de mim comprar roupas e bolsas etc…… , para uma aparência melhor, para tirar meus pais do aperto no interior.

Dinheiro para ficar. Para ser a esposa de fachada. A diretora judicial de brinquedo.

"Mãe, você tá triste?" Miguel perguntou, inclinando a cabeça.

Eu forcei um sorriso, passando a mão em seus cachos. "Não, meu querido. Só pensativa. A mãe… pode ter um trabalho novo. Melhor."

"Você vai ganhar muitos dinheiros?" Seus olhos brilharam. "Pra gente comprar aquele parque aquático de Lego?" Às vezes Miguel pedia coisas para mim q eu não poderia comprar diferente do que o pai dava e isso doía muito.

Uma risada saiu da minha garganta, rouca, verdadeira. "Vamos comprar o parque aquático de Lego." A promessa, feita na sala de jantar , selou algo dentro de mim. Aceitaria. Engoliria o orgulho, a humilhação, o desprezo nos olhos cinzas de Rafael. Por aqueles blocos de plástico. Por esse menino.

O barulho da fechadura sendo girada com força fez nós dois pularmos. A porta de casa se abriu e Rafael entrou, preenchendo o hall com sua presença imponente. Seu terno cinza-escuro parecia absurdo naquele espaço doméstico. Seu olho varreu a sala, a torre de Lego, o ursinho, e parou em mim ,sobre o vestido de escritório amarrotado.

Seu queixo estava tensionado. "Você não compareceu." A voz era baixa, plana, perigosamente contida.

Miguel, sentado à mesa, congelou quando viu seu pai entrando como um estranho , seus olhos arregalados fixos no homem alto e furioso.

Eu me levantei, colocando-me levemente entre a mesa e Rafael. "Tive que vir para casa. Meu filho precisava de mim."

“Ele também é meu filho mais nem por isso fui correndo para casa.”

"Eu dei uma ordem." Ele deu um passo para dentro da sala. O ar ficou frio. "Você não é mais uma estagiária que pode dar chilique e abandonar compromissos. Você é minha esposa. E você vai obedecer."

A palavra 'obedecer' caiu como um tapa. Meus dedos se apertaram no tecido do vestido "Não fui contratada para ser sua cadela."

Ele atravessou a sala em três passadas largas, parando a centímetros de mim. Seu corpo emanava uma raiva contida, um calor agressivo. Eu conseguia ver os fios prateados nos templos dele, o pulso saltando sob a pele. "Não foi? O contrato diz o contrário. Você pertence a esta família. Suas ações refletem sobre mim. Sobre minha avó."

"Sua avó não está aqui," sussurrei, desafiante. "E eu já tomei minha decisão. Cumprirei minha parte. Mas não pularei quando você estalar os dedos."

Ele estudou meu rosto, seus olhos cinzas percorrendo cada centímetro como se lessem um documento difícil. A raiva parecia se transformar em outra coisa, algo mais calculado, mais predatório. Seu olhar desceu para meu pescoço, para a alça do vestido que ainda carregava a marca úmida do suor da tarde, e então para Gabriel, que observava, imóvel.

"Vai para o quarto, Miguel l," eu disse, sem desviar o olhar de Rafael.

"Mãe…"

"Agora, amor. Leve seu prato."

O garotinho obedeceu, arrastando os pés, seus olhos ainda grudados em nós até desaparecer no corredor. A porta do quarto fechou-se com um clique suave.

O silêncio que ficou era espesso, carregado. Rafael fechou a distância final. A palma da mão dele, quente e larga, se apertou contra minha cintura, puxando-me bruscamente contra o corpo duro dele. Eu dei um suspiro ofegante.

"Você acha que tem algum poder aqui?" Ele sussurrou, seu hálito quente contra minha têmpora. A mão dele desceu, pegando minha nádega através do tecido do vestido, apertando com uma força que não era carinho, era posse. "Você acha que dizer 'sim' te dá o direito de dizer 'não'?"

Um choque de desejo proibido, agudo e imediato, cortou minha raiva. Meu corpo, traidor, reagiu. Entre as pernas, uma pulsação quente e úmida despertou. "Me solta," disse, mas minha voz saiu rouca, sem convicção.

A mão dele se abriu no vazio onde minha cintura estivera. Eu dei dois passos para trás, o vestido ainda arrepiado da marca de seus dedos. O ar entre a gente vibrava, cortado pelo meu suspiro rouco e pela respiração controlada dele. "Não me toque assim," disse, a voz mais firme agora, cavada de algum lugar profundo que aquele desejo traidor não alcançava. Virei as costas. As solas dos meus sapatos bateram no piso frio da cozinha com uma decisão que eu não sabia ter.

Peguei minha bolsa do balcão, a de couro macio que ele mesmo comprou em Milão, e saí pela porta da garagem sem olhar para trás. O carro, um SUV preto e silencioso, respondeu ao toque da chave. Quando as portas da garagem se abriram, a luz quente do fim de tarde invadiu, e eu mergulhei nela.

Dirigi sem destino, com as janelas abaixadas, deixando o vento levar o cheio dele – café amargo e algo metálico, como raiva – para longe de mim. A cidade passava, prédios espelhados refletindo um céu alaranjado. Passei pelo prédio da empresa, aquele monólito de vidro e aço, e não senti nada. A riqueza, o contrato, a gaiola dourada… tudo parecia cinza.

Foi quando vi a pleta. "Salão Valentina", em letras cursivas rosa choque. Estacionei na frente, de forma abrupta. Olhei-me no retrovisor. Meu cabelo castanho, cacheado, estava armado pela umidade do dia. Meus olhos amendoados pareciam maiores, cercados por uma sombra de cansaço. Usava um vestido simples de linho bege, caro, discreto, a armadura que ele preferia. Rasgá-lo seria um começo.

O salão cheirava a química doce de tintura e a condicionador caro. Música eletrônica suave tocava. Uma mulher com cabelo prateado e um sorriso afiado se aproximou. E então uma das poucas pessoas q sabiam que sou a esposa do Rafa "Bela Silva? Nossa, que honra." O sobrenome grudou no ar. Eu não a corriji.

"Quero mudar tudo," falei, e a frase saiu como um decreto.

Três horas depois, eu era outra. O cabelo, agora liso como água negra, caía pesado e brilhante sobre meus ombros. As pontas, tingidas de um vermelho rubro, como sangue velho. Os olhos, delineados com um preto preciso que alongava o corte amendoado. Meus lábios, um vinho profundo. A mulher no espelho me encarava com uma frieza que eu não conhecia. Era forte. Era perigosa. Era minha.

Quando entrei em casa, a luz baixa do hall já estava acesa. Lúcia, a empregada, apareceu silenciosamente. "Boa noite, senhora. O jantar…"

"Já jantei, Lúcia. O Miguel?"

“Já está dormindo senhor “

************

O aviso do RH chegou por e-mail às sete da manhã, quando eu ainda estava tomando café na cozinha vazia, de pé, encarando o jardim impecável que nunca pisava. "Parabéns, Isabela Silva .Sua promoção para Gerente Sênior de Contratos foi aprovada pela diretoria. Salário: quinze mil líquidos. Bater papo com o CEO às 9h para formalidades."

Deixei o celular pousar no mármore com um clique suave. O coração não acelerou. Só senti um peso doce e quente no peito, como se eu tivesse engolido o próprio sol. Finalmente.

Escolhi o tailleur. Não o discreto bege que ele preferia, mas um preto, justíssimo, de um corte que mordia minha cintura e se abria sobre minhas coxas. A blusa era um seda cor de vinho, a mesma cor dos meus lábios novos. E os saltos altos, finos, que faziam um som de advertência contra o piso.

Quando entrei no saguão principal da Silva Corp, o silêncio foi instantâneo. O burburinho de teclados e telefones morreu em ondas, começando pela recepcionista, cujo copo de café ficou suspenso no ar. Eu caminhei até os elevadores, sentindo dezenas de olhos grudados no cabelo liso e escorrido, nas pontas rubras, no balanço decidido dos meus quadris. O cheiro do meu perfume novo, âmbar e pimenta rosa, deixava um rastro.

O escritório de Rafael ficava no topo, atrás de portas duplas de carvalho. Sua assistente, uma mulher de óculos que sempre me tratara com uma piedade disfarçada, ficou pálida. "Senhora Costa… ele… ele não avisou…"

"Silva " corrigi, suave. "Isabela Silva. Tenho uma reunião marcada."

Antes que ela pudesse buzinar o interfone, as portas se abriram. Rafael estava ali, de pé, com o telefone no ouvido, falando em inglês rápido. Ele usava um terno cinza, impecável. Seus olhos cinzentos passaram por mim, desinteressados, e então voltaram, travados. A frase em inglês morreu em seus lábios.

Ele baixou o telefone devagar. O olhar dele, aquele laser calculista, percorreu cada centímetro de mim. Do cabelo transformado ao decote da seda, da cintura marcada pelo paletó até a linha cruel dos meus saltos. Algo caiu dentro daqueles olhos frios. Um tremor de reconhecimento puro, selvagem.

"O que é isso?" A voz dele saiu áspera, um sussurro carregado.

Entrei no escritório, passando por ele tão perto que o cheiro do seu sabonete masculino, amadeirado e caro, colidiu com o meu perfume. "Bom dia, Rafael. Vim para a reunião da promoção."

Fechei a porta com um clique suave. O mundo lá fora desapareceu.

Ele ficou parado, as costas contra a porta, me encarando. Seu rosto era uma máscara tentando se recompor. "Que promoção?"

"Gerente Sênior de Contratos. A vaga pela qual lutei por dois anos. A diretoria aprovou ontem. Acho que você estava… distraído." Deixei a bolsa na cadeira de couro. "Preciso da sua assinatura no termo de posse."

Ele não se moveu. Seus olhos eram fuções agora, escaneando meu rosto, buscando a mulher de cabelos cacheados e vestidos discretos. Ela não estava mais ali. "Você pintou o cabelo."

"As pontas," concordei, sentando na poltrona à frente da mesa dele, cruzando as pernas. A meia-calça fina fez um som suave. "Você gostou?"

Ele soltou um ar meio ofegante, como se tivesse levado um soco. Finalmente se moveu, indo até a janela panorâmica. As costas largas do paletó estavam tensas. "Isso é algum tipo de joguinho, Isabela? Alguma revanche infantil pelo que aconteceu na cozinha?"

"Isso é carreira, Rafael. Algo que, surpreendentemente, existe fora do seu controle pessoal." Abri minha pasta, tirei a folha de papel. "A assinatura, por favor."

Ele virou. A luz da manhã atrás dele o deixou em silhueta, mas eu via a linha rígida de seu queixo. "Você acha que pode vir aqui, vestida como… como uma dessas mulheres do bar executivo, e eu vou simplesmente assinar?"

Levantei-me. Meus saltos ecoaram no piso de madeira polida. Parei a um passo dele, dentro do seu espaço, do seu ar carregado de raiva e confusão. "Estou vestida como uma gerente sênior que acaba de ganhar quinze mil por mês. E você vai assinar porque é o protocolo. E porque, no fundo, você sabe que eu mereço."

Seu olhar desceu para meus lábios. A raiva dele tinha um brilho novo, úmido, quente. "Você está diferente."

"Estou."

A mão dele se moveu antes que eu pudesse prever. Não para me agarrar, mas para tocar um dos meus cachos, agora com as pontas em um vermelho vinho profundo. Seus dedos eram surpreendentemente suaves. "Por quê?"

A pergunta era um sopro. O toque, uma violação íntima que fez meu estômago dar um nó de desejo imediato e inoportuno. Eu me mantive firme.

"Porque pude."

Ele deixou o cabelo de lado, mas sua mão não recuou. Desceu pela minha têmpora, o polegar traçando a linha da minha mandíbula. Sua pele era quente, áspera. A cicatriz discreta em seu dedo indicador roçou meu queixo. Meu coração batia tão forte que eu temia que ele ouvisse.

"Você cheira diferente também," ele murmurou, inclinando-se um centímetro. Seu olhar estava preso nos meus lábios. "Não é mais aquele sabonete barato de lavanda."

"É jasmim e âmbar," respondi, minha voz mais baixa do que eu pretendia. O perfume era um presente para mim mesma. Caro. Indelével.

"É agressivo."

"É presente."

Ele soltou um som baixo, quase um rosnado. Sua mão finalmente caiu, mas o espaço entre nós vibrava. Ele voltou para trás da mesa, um refúgio de poder que de repente parecia frágil. Pegou a caneta, olhou para o documento.

"Gerente Sênior de Contratos. Reportando-se diretamente a mim." Seus olhos cinzas levantaram, gelados. "Você acha que consegue lidar com isso, Isabela? Comigo, no seu escritório, todos os dias?"

"Lidei com pior." A imagem da cozinha de sua mansão, minha blusa molhada de sopa, seus empregados me agarrando pelos braços enquanto eu gritava, passou como um relâmpago atrás dos meus olhos. "Lidei com a sua avó mandando me sequestrar para ser sua noiva forçada. Lidar com sua arrogância no trabalho vai ser um alívio."

Ele congelou. A raiva que emanava dele era uma coisa física, enchendo o ar, tornando-o pesado. "Não toque nisso."

"Por que não? É o que somos. Um acordo de negócios. Lyn Silva comprou uma nora, você obteve sua herança, e eu…" Minha voz falhou por uma fração de segundo. "Eu ganhei uma cela dourada."

"Você ganhou estabilidade. Sua família ganhou o que precisava. Pare de agir como uma mártir." Ele rabiscou a assinatura no papel com uma força que quase o rasgou. Empurrou o documento para o meu lado da mesa. "Aqui. Sua promoção. Agora pode ir."

Eu não me mexi. Olhei para a assinatura, depois para ele. O silêncio se esticou, carregado com tudo que não foi dito. Com a memória daquela primeira noite no quarto dele, os dois de pé em lados opostos da cama enorme, ele dizendo "Não me toque e eu não te toco", sua voz cheia de desprezo.

Ele nunca tinha me tocado. Até agora.

"Tem medo de mim, Rafael?" A pergunta saiu antes que eu pudesse contê-la.

Ele deu uma risada seca, sem humor. "Do que? De uma garota do escritório que acha que pintar o cabelo a torna perigosa?"

"Não." Eu dei um passo à frente, depois outro, até que minhas coxas pressionaram a borda fria da mesa de mogno. "Tem medo de que eu quebre as regras. De que um dia eu entre aqui e não queira apenas sua assinatura."

Seus olhos escureceram. A mão dele estava apoiada na mesa, os nósculos dos dedos brancos. "E o que você queraria, Isabela?"

A resposta estava na minha garganta, acesa, imprudente. Eu a deixei sair. "Você."

Ele se moveu. Tão rápido que eu só piscar e ele estava do meu lado da mesa, seu corpo alto bloqueando a luz da janela, seu calor envolvendo-me. Suas mãos fecharam-se em volta dos meus braços, não com brutalidade, mas com uma posse absoluta que me fez perder o fôlego.

"Isso é um jogo perigoso," ele sussurrou, sua boca a centímetros da minha. Seu hálito era café e algo mais amargo. "Você não sabe com o que está brincando."

"Ensina-me."

O som que saiu dele foi selvagem. E então sua boca encontrou a minha.

Não foi um beijo. Foi uma conquista. Seus lábios eram duros, insistentes, abrindo os meus com uma urgência que fez meu corpo inteiro tremer. Seu gosto era raiva e luxúria pura, uma combinação intoxicante. Minhas mãos subiram, agarrando as lapelas do paletó caro, me arrastando para mais perto.

Uma de suas mãos soltou meu braço e entrelaçou-se em meu cabelo, puxando minha cabeça para trás para um ângulo melhor, mais profundo. A dor foi um choque doce. Eu gemi na boca dele, e ele devorou o som. Sua língua invadiu, explorando, reivindicando. Era sujo, implacável, e eu respondi na mesma moeda, mordendo seu lábio inferior, sentindo-o estremecer.

Ele quebrou o beijo, respirando com dificuldade. Seus olhos estavam negros, as pupilas dilatadas a ponto de engolir o cinza. "Você quer mesmo isso?"

Em resposta, eu levei a mão entre nós e palpei o volume duro e distinto sob o tecido fino de sua calça. Ele estava enorme, latejante. Um gemido gutural escapou dele.

"Puta merda, Isabela," ele rosnou.

Ele me virou de costas para a mesa tão rápido que o mundo girou. Minhas mãos se espalmaram na madeira polida, segurando-me. Ouvi o ruído de seu zíper sendo puxado, o suspiro de alívio. Então suas mãos estavam em minhas coxas, puxando minha saia para cima, arrastando minha calça e a meia-calça fina para baixo dos meus quadris.

O ar frio do escritório bateu na minha pele exposta. Eu estava molhada, um fluxo quente e constrangedor de desejo que eu não conseguia mais esconder. Ele viu. Sua respiração ficou ainda mais ofegante.

"Olha," ele ordenou, voz rouca. Uma de suas mãos passou por entre minhas pernas, dedos encontrando meu sexo encharcado. "Olha o que você faz comigo."

Ele não foi gentil. Dois dedos entraram em mim, uma penetração rápida e profunda que me fez arquear as costas e gritar. A sensação era avassaladora, muito depois de tanto tempo sem toque. Seus dedos se moveram dentro de mim, curvas, encontrando um ponto que fez luzes explodirem atrás das minhas pálpebras.

"Aqui?" Sua voz era um sussurro cruel em meu ouvido. "É aqui que você quer?"

Eu não conseguia falar, só balançava a cabeça, me espremendo contra sua mão. Ele riu, baixo, e acrescentou um terceiro dedo. O esticar foi uma mistura de dor e prazer tão intensa que lágrimas escorreram dos meus olhos.

Então ele tirou os dedos. Eu soltei um gemido de protesto. Ouvi o som úmido dele levando-os à boca. "Você tem o gosto da sua coragem," ele murmurou. "Azedo e doce."

Antes que eu pudesse processar, a ponta quente e larga de seu cock estava pressionando contra mim. Ele não entrou. Apenas pressionou, fazendo-me sentir cada veia, cada pulso. Meu corpo tremeu, implorando.

"Diga," ele exigiu.

"Rafael…"

"Não. O que eu sou para você agora?"

A humilhação queimou, mas o desejo era mais forte. "Meu marido."

Com um rugido abafado, ele se enterrou em mim num único empurrão profundo.

O ar saiu dos meus pulmões. A plenitude era avassaladora, uma invasão gloriosa que rasgava qualquer ilusão de controle. Ele estava tão fundo que eu sentia cada centímetro, aquecedo, pulsando dentro de mim. Ele ficou parado por um momento, ambos ofegantes, seu corpo curvado sobre o meu.

"Caralho," ele respirou, sua testa contra minhas costas. "Você está tão apertada…"

Então ele começou a se mover.

Eu me arquei contra ele, um movimento instintivo e profundo, tomando mais dele dentro de mim. Um gemido rouco escapou de seus lábios. O som, de pura surpresa e prazer, ecoou na sala silenciosa e foi mais intoxicante do que qualquer palavra de domínio.

“É isso?” sussurrei, minha voz um fio de seda e desafio. “Você me quer obediente e quieta?”

Meus quadris começaram a se mover, não seguindo seu ritmo, mas criando o meu. Lento. Deliberado. Sentindo cada centímetro dele raspando dentro de mim, esfregando em um ponto que fazia meus olhos revirarem. A dor inicial tinha se dissolvido, transformada em uma sensação abrasadora de plenitude, de posse.

Rafael parou de empurrar. Suas mãos, que estavam firmes em meus quadris, apertaram, seus dedos afundando na minha carne. Ele estava lutando pelo controle, tentando ditar o movimento. Eu ignorei. Balancei para trás novamente, mais rápido desta vez, e ouvi o som úmido e alto da nossa conexão.

“Bela,” ele rosnou, um aviso.

“Não,” respirei, virando a cabeça o suficiente para que nossa bochechas se tocassem, meu lábio perto de seu ouvido. “Você me pegou. Você me tem. Agora aguente.”

Empurrei ele para trás, com uma força que nem eu sabia que tinha, até que suas costas encontraram a fria superfície da escrivaninha. Os papéis voaram. O candeeiro de latão balançou, lançando sombras dançantes pelas paredes. Agora eu estava por cima, ele ainda dentro de mim, seus olhos cinzas escuros como uma tempestade olhando para mim com uma mistura de fúria e fascínio avassalador.

Meus joelhos doeram contra o mogno duro, mas a dor era um fundo distante. Tudo que importava era a expressão em seu rosto. A máscara do CEO impiedoso estava rachada. Aqui, sobigo, ele era apenas um homem, seu cabelo impecável despenteado, seu peito largo subindo e descendo rapidamente.

Comecei a cavalgar. Devagar no início, levantando e abaixando, sentindo ele me preencher de uma maneira nova, mais profunda. Minhas mãos encontraram seu peito, meus dedos traçando os músculos tensos, arranhando levemente a pele. Ele soltou um suspiro áspero.

“Você queria uma esposa,” disse, minha voz trêmula mas clara. “Você tem uma. Olhe para mim.”

Seus olhos, que haviam fechado por um segundo, se abriram. Eles se prenderam aos meus. E naquele olhar, vi não apenas desejo, mas uma centelha de algo mais. Reconhecimento. Respeito, talvez. Foi mais poderoso do que qualquer orgasmo.

Meu ritmo aumentou. Meus seus balançavam com o movimento, e uma de suas mãos largou meu quadril para agarrar um, seu polegar esfregando o mamilo endurecido até doer de prazer. A outra mão desceu entre nossos corpos, seus dedos encontrando o núcleo onde nossos corpos se encontravam, pressionando o clitóris inchado.

Um grito abafado saiu da minha garganta. Meu corpo inteiro estremeceu, meus músculos internos apertando-o involuntariamente.

“Isso,” ele incentivou, sua voz rouca. “Me aperta assim. Me mostra quem está no controle agora.”

Eu estava perdendo o fio da meada, a sensação sendo muito, muito boa. Seus dedos eram implacáveis, seu cock atingindo um ângulo que me fazia ver estrelas. Meus movimentos ficaram descoordenados, desesperados.

“Rafa… eu vou…”

“Não ainda,” ele ordenou, e num movimento fluido, ele virou nossos corpos, colocando-me de costas na escrivaninha novamente. O impacto foi frio e duro. Ele saiu de mim completamente, deixando-me vazia e trêmula, à beira do abismo.

“Por quê?” supliquei, meus olhos cheios de lágrimas de frustração.

Ele não respondeu. Em vez disso, suas mãos pegaram meus tornozelos, abrindo minhas pernas completamente. Ele se ajoelhou no chão entre elas. Seu olhar percorreu meu corpo exposto, molhado e tremendo, e a reverência naquela olhada era quase pior do que o desdém.

Então ele baixou a cabeça.

Seu primeiro contato não foi com a língua, mas com um beijo suave, quase casto, nos lábios internos da minha coxa. Eu estremeci. Ele continuou, uma trilha de beijos quentes e úmidos subindo, cada um mais perto do centro da minha agonia. Sua respiração quente contra minha pele me fez arquear.

Quando sua língua finalmente me tocou, foi uma linha lenta e plana do início ao fim. Meus punhos se cerraram nos papiais espalhados. Ele fez isso de novo. E de novo. Lento, metódico, como se estivesse saboreando cada nuance do meu gosto.

“Você está pingando,” ele murmurou, sua voz vibrando contra mim. “Gosto de mel azedo. Gosto de mim em você.”

Então ele se aprofundou, sua língua encontrando um ritmo firme e circular em torno do clitóris, enquanto dois dedos deslizavam para dentro de mim, encontrando imediatamente um ponto profundo que fez meus quadris se erguerem da madeira.

“Ai, Deus… assim…”

Ele me observava, seus olhos cinzas não perdendo um único tremor, um único suspiro. Ele estava me estudando, aprendendo o que me fazia despedaçar. A intimidade disso era mais vulnerável do que qualquer penetração.

Seus dedos se curvaram, massageando aquele ponto interno enquanto sua língua acelerava. A pressão dentro de mim se acumulou como um trovão distante, crescendo, crescendo. Minhas pernas tremiam. Meus dedos se enterraram em seu cabelo, não para guiá-lo, mas para me agarrar a algo.

“Vem,” ele ordenou contra minha pele, sua voz uma vibração que me empurrou para a beira. “Vem na minha boca, Isabela.”

Foi o uso do meu nome completo que me quebrou.

O orgasmo me arrancou da realidade. Um tremor violento, profundo, que começou lá onde seus dedos e língua trabalhavam e explodiu por cada nervo. Gritei, um som rouco e despedaçado, enquanto meus quadris se sacudiam contra sua boca implacável. Ele não deu trégua, bebendo cada contração, cada onda de prazer que ele mesmo havia conjurado, até eu cair para trás sobre a escrivaninha, exausta, ofegante, o mundo ainda turvo e dourado.

Ele se ergueu lentamente, seus joelhos estalando no silêncio súbito do escritório. Seu queixo e lábios estavam brilhantes, molhados de mim. Ele não limpou. Apenas me observou, seus olhos cinzas escuros, avaliando o estrago que havia feito. Eu estava exposta, aberta, tremendo, as pernas ainda afastadas sobre a madeira polida. A vergonha deveria ter chegado, mas só havia um vazio quente e pesado.

“Você é…” ele começou, sua voz mais grossa do que antes. Ele engoliu seco. “Uma mulher autêntica, Isabela.”

As palavras pairaram no ar entre nós, carregadas de um significado que eu não conseguia decifrar. Não era um elogio vazio. Soava como uma constatação, quase uma surpresa. Para ele. Para mim.

Ele se virou, pegou seu paletó pendurado na cadeira e o vestiu, escondendo a evidente tensão nas suas calças. O ato foi tão mundano, tão banal depois do que havia acontecido, que me fez sentir ainda mais nua. Eu me forcei a sentar, puxando minha saia para baixo com mãos trêmulas. A pele interna das minhas coxas latejava.

“Vista-se,” ele disse, sem olhar para mim, ajustando o punho da camisa. “Vou te levar para jantar.”

O ar saiu dos meus pulmões. Eu olhei para ele, certa de ter ouvido errado. “O quê?”

Ele finalmente me encarou, e havia uma determinação nova em seu rosto, substituindo a frieza calculista. “Jantar. Comigo. A sós.”

“Você está brincando.” As palavras saíram antes que eu pudesse pará-las. “Depois… disso?”

“Especialmente depois disso,” ele respondeu, seu olhar escaneando meu rosto inchado, meus lábios partedos. “Você acha que eu faço… isso… com qualquer funcionária que entra no meu escritório?”

Eu não sabia o que responder. Eu não sabia de nada. Minha mente, ainda embotada pelo prazer, tentava se agarrar à lógica. O CEO. Rafael Silva. Me levando para jantar. Era um pesadelo ou uma fantasia perigosa.

“Não posso,” murmurei, procurando minhas calcinhas pelo chão. Elas estavam um pouco encharcadas. Meu rosto queimou.

“Por que não?” Sua pergunta foi uma lâmina.

“Porque… porque você é você. E eu sou eu. E a Camila…”

“A Camila não tem nada a ver com o que aconteceu nesta sala,” ele cortou, sua voz firme. “Isso foi entre você e eu. E não acabou.”

“Não acabou?” Repeti, minhas calcinhas finalmente nas mãos. Meu corpo, traidor, deu um pulso fraco ao ouvir aquilo.

Ele se aproximou, e eu recuei contra a escrivaninha. Ele parou a poucos centímetros, o cheiro dele—madeira, café caro e agora, meu próprio musk—invadindo meus sentidos. Ele estendeu a mão e, com uma delicadeza que me paralisou, pegou um fio de cabelo molhado de suor da minha testa e o posicionou atrás da minha orelha. “Não. Não acabou. E eu não faço convites duas vezes, Isabela. Vista-se. Agora.”

A ordem na sua voz acionou algo primitivo em mim. Uma obediência que não vinha do medo, mas de uma curiosa submissão ao desejo que ainda ardía entre nós. Em silêncio, me vesti, minhas roupas agora carregando o cheiro do sexo e do seu escritório. Meus movimentos eram desajeitados, meus músculos moles.

Ele observou cada gesto, seus olhos como scanners, perdendo nenhum detalhe. Quando terminei, ele simplesmente acenou com a cabeça em direção à porta. “Vamos.”

O restaurante era do tipo que eu só via em revistas. Luz baixa, toalhas de linho imaculadas, garçons que se moviam como sombras silenciosas. Rafael não consultou o menu. Pediu para nós dois, em um francês perfeito que rolou em sua língua como uma ameaça elegante. O vinho chegou, um tinto tão escuro que parecia preto.

“Você salvou a vida da minha avó,” ele disse, bruscamente, depois do garçom sair. Era um não sequitur que me fez pular.

“Eu… acho que sim. Foi instinto.”

“Lyn não tem instintos. Ela tem planos. E ela gostou de você.” Ele tomou um gole de vinho, seus olhos fixos em mim sobre a borda da taça. “Ela raramente gosta de alguém.”

“Ela me sequestrou,” respondi, uma centelha de raiva antiga surgindo através do nevoeiro.

Um canto de sua boca se moveu. Quase um sorriso. “Ela recrutou você. Há uma diferença. E hoje, no meu escritório… foi você quem veio até mim.”

“A Camila pediu…”

“Pare de dizer o nome dela!” A explosão foi baixa, contida, mas tão violenta que eu me encolhi na cadeira. Ele respirou fundo, controlando-se. “Você veio. Você ficou. Você gemeu meu nome. Isso foi você, Isabela. A autêntica. A que não sabe mentir nem com o corpo.”

O calor subiu do meu peito para o meu rosto. A lembrança dos meus gemidos, das minhas súplicas, ecoou entre nós. “O que você quer de mim?”

Ele inclinou-se para a frente, os cotovelos sobre a mesa, quebrando toda etiqueta. “Tudo.” A palavra era simples, absoluta. “Por um tempo. Minha avó está certa sobre uma coisa: eu preciso me casar. A empresa exige. A família exige. Mas eu não quero uma esposa. Quero uma… solução. Alguém que entenda o acordo.”

“Um acordo?” Sussurrei, meu coração batendo descompassado.